quinta-feira, 3 de novembro de 2011

NEGROS DA TERRA Índios e bandeirantes nas origens seiscentistas de São Paulo (Transcrição)

O SERTANISMO E A CRIAÇÃO DE UMA FORÇA DE TRABALHO
               Ao longo do século XVII, colonos de São Paulo e de outras vilas circunvizinhas assaltaram centenas de aldeias indígenas em várias regiões. Trazendo, milhares de índios de diversas sociedades para suas fazendas e sítios na condição de “serviços obrigatórios”. O que mudou ao longo do século foram as condições de apresamento, determinadas pelas variáveis da orientação geográfica, das distâncias percorridas, dos custos operacionais e das formas divergentes de reação dos indígenas abordados. Se as expedições de apresamento para o interior e o comércio de escravos índios em São Paulo datavam das origens da Colônia, a partir do século XVII adquiriram novos aspectos qualitativos e quantitativos. As experiências do primeiro século introduziram diversos métodos de apropriação direta da mão-de-obra nativa, abrangendo os resgates, o apresamento direto e, em escala maior, as expedições punitivas, características dos últimos anos do século, estes modelos de apresamento foram sendo ampliados e a aperfeiçoados pelos paulistas.

A RIQUEZA DO SERTÃO
               Quando governador do Brasil entre 1591 e 1601. D. Francisco de Souza dedicou-se com afinco à busca de metais e pedras preciosas, devidamente estimulada pela leda Tupiniquim de Itaberaba-açu, uma serra resplandecente que, para muitos, localizava-se nas cabeceiras do rio São Francisco. Surgias no imaginário português o Sabarabuçu, curruptela pela qual ficou conhecida a almejada serra de prata e esmeralda. Já em 1596. D, Francisco armou três expedições, saindo simultaneamente  da Bahia, Espírito Santo e São Paulo, com destino ao São Francisco. O empreendimento chefiado por João Pereira de Souza Botafogo. Entrando pelo vale do Paraíba, atravessaram a serra da Mantiqueira, acreditando ter descoberto as minas a setenta ou oitenta léguas de São Paulo. Uma parte do grupo seguiu para Salvador com amostras de pedras preciosas, outra passou explorar a região do Paraupava (Araguaia-Tocantins), mas a maioria regressou a São Paulo satisfeita com os Tupinambá que haviam capturado no vale do Paraíba. Animados com os resultados da expedição de Souza Botafogo. D. Francisco deslocou-se para o sul, acompanhado por um séqüito de mineiros práticos da Alemanha. Holanda e Espanha. As jornadas subseqüentes para o rio São Francisco resultaram pouco frutíferas em termos de riqueza mineral, mas, durante a permanência do mesmo D. Francisco em São Paulo, foram descobertas minas de ouro e ferro próximas à vila. Concluído seu mandato, o governador viajou para a Metrópole e iniciou gestões junto ao rei com o feito de obter os requisitos necessários para dar seguimento a seu ambicioso projeto. Em 1608, ele se achava novamente em São Paulo, munido dos títulos de governador do sul e superintendente das minas.
               Em seu projeto, D. Francisco propunha articular os setores de mineração, agricultura e indústria, todos sustentados por uma sólida base de trabalhadores indígenas. O modelo proposto inspirava-se, talvez, naqueles em pleno desenvolvimento na América espanhola, onde as massas indígenas, no movimento conjugado de empresas mineradoras e agrícolas, geravam grandes fortunas entre os colonos espanhóis, engordando igualmente os cofres do reino. Porém, no Brasil, o plano logo malogrou. Além de os portugueses não terem encontrado nenhuma Potosí resplandecente, os modestos descobrimentos das minas de Jaraguá, Parnaíba e Votoruma decepcionaram pelo pequeno montante de ouro que renderam. Ao mesmo tempo, apesar do estabelecimento de uma fábrica de ferro em Santo amaro por volta de 1609 e da suposta edificação de uma vila nas imediações da futura Sorocaba, onde existiam de fato depósitos significativos do minério, o projeto fracassou também na sua dimensão industrial. Ainda assim, a tentativa malograda de D. Francisco e seus associados em transformar o sertão em um núcleo europeu sentiu o efeito na organização da economia local de São Paulo.
               Por um lado, conforme veremos adiante, o crescimento da lavoura comercial foi estimulado e, por outro, a apresamento da mão-de-obra indígena atingiu proporções nunca dantes alcançadas.
Fonte: http://migre.me/63vDD 

GUIA DA UNESCO - Una guía para la administración de sitios e itinerarios de memoria.

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