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O caminho das tropas
A conquista do Peru e da revelação das riquezas minerais do Império dos Incas deu uma importância estratégica ao estuário do Rio da Prata, uma vez que informações vagas, colhidas entre os índios, davam indícios de uma rota de acesso às terras ricas em metais preciosos. Tudo isso justificava a busca de possibilidades de estabelecer comunicações diretas entre o estuário e a região de Potosi, por intermédio da via navegável do Paraná.
Em razão disso, a colonização desses territórios abria um caminho alternativo aos altiplanos andinos, juntamente com as perspectivas para o desenvolvimento do contrabando de negros, em toda a América espanhola, “feito pelos portugueses; a estes desde cedo se ligaram os contrabandistas do porto de Buenos Aires. Desde 1595 e durante a primeira metade do século XVII, os portugueses desfrutaram da hegemonia do comércio negreiro em território espanhol”.1
Por sua vez, os campos naturais da planície se prestavam admiravelmente à criação de animais e a exploração das terras foi incrementada, a partir da segunda década do século XVII, quando os corsários holandeses começaram a ameaçar a liberdade de navegação do Atlântico Sul, dificultando as comunicações marítimas com o porto platino, verificou-se então um novo ciclo de atividades das rotas interiores de comunicação entre as colônias portuguesas e espanholas. No segundo quartel do século XVII, quando se iniciou a decadência do comércio luso-brasileiro com o Rio da Prata, uma nova área das terras de Castela começou a ser procurada pelos mercadores lusos, isto é, o atual território do Rio Grande do Sul. O ano de 1635 é o marco que deu início da expansão dos sertanistas paulistas nas províncias jesuíticas do Uruguai e do Tape, ano em que uma bandeira esteve no sertão dos Patos.2
Nessa imensa área, vivia-se da “tomadia de gado nos campos indivisos”, que foi fundamental para o estabelecimento das estâncias e da atividade pecuária. O gado arrebanhado era selvagem, ou xucro e os criadores (denominados localmente de estancieiros, da mesma forma que nos territórios espanhóis) não domesticavam seus rebanhos e não submetiam o gado a currais, evitando qualquer tipo de marcação.
No período de 1765 a 1825, as reses mansas constituíam apenas de 13 a 26% do gado vacum existente no Rio Grande e, enquanto subsistiram os rebanhos selvagens, a domesticação do gado não progrediu nas fazendas do Rio Grande. “Espanhóis, portugueses, índios e negros realizavam, conjuntamente, arreadas e contrabando. Essas atividades não eram exclusividade dos súditos de algumas das duas Coroas, mas eram
praticadas pelo conjunto dos habitantes dessa zona-fronteira, forjando solidariedade que suplantavam a lealdade a seus reis...”3
Por sua vez, os campos naturais da planície se prestavam admiravelmente à criação de animais e a exploração das terras foi incrementada, a partir da segunda década do século XVII, quando os corsários holandeses começaram a ameaçar a liberdade de navegação do Atlântico Sul, dificultando as comunicações marítimas com o porto platino, verificou-se então um novo ciclo de atividades das rotas interiores de comunicação entre as colônias portuguesas e espanholas. No segundo quartel do século XVII, quando se iniciou a decadência do comércio luso-brasileiro com o Rio da Prata, uma nova área das terras de Castela começou a ser procurada pelos mercadores lusos, isto é, o atual território do Rio Grande do Sul. O ano de 1635 é o marco que deu início da expansão dos sertanistas paulistas nas províncias jesuíticas do Uruguai e do Tape, ano em que uma bandeira esteve no sertão dos Patos.2
Nessa imensa área, vivia-se da “tomadia de gado nos campos indivisos”, que foi fundamental para o estabelecimento das estâncias e da atividade pecuária. O gado arrebanhado era selvagem, ou xucro e os criadores (denominados localmente de estancieiros, da mesma forma que nos territórios espanhóis) não domesticavam seus rebanhos e não submetiam o gado a currais, evitando qualquer tipo de marcação.
No período de 1765 a 1825, as reses mansas constituíam apenas de 13 a 26% do gado vacum existente no Rio Grande e, enquanto subsistiram os rebanhos selvagens, a domesticação do gado não progrediu nas fazendas do Rio Grande. “Espanhóis, portugueses, índios e negros realizavam, conjuntamente, arreadas e contrabando. Essas atividades não eram exclusividade dos súditos de algumas das duas Coroas, mas eram
praticadas pelo conjunto dos habitantes dessa zona-fronteira, forjando solidariedade que suplantavam a lealdade a seus reis...”3
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O comércio de mulas progrediu na mesma proporção em que crescia a produção aurífera em Minas Gerais. A demanda por transporte era incentivada tanto para o abastecimento como para o escoamento do minério. A importância disso pode ser dimensionada quando Alfredo Ellis Júnior identifica um dos fenômenos a que denomina “Ciclo do Muar”. Para o autor, “o ouro foi o consumidor forçado do muar sulino” e a estrado do Rio Grande a São Paulo teria sido “a rota de maior importância na História do Brasil”.6
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http://www.labhstc.ufsc.br/ivencontro/pdfs/comunicacoes/MarciaKunuochiClaudiaMolet.pdf