quinta-feira, 4 de setembro de 2014

CAMINHO VELHO DO OURO (Transcrção)

 O Caminho Velho do Ouro foi o primeiro caminho a ser utilizado para o escoamento do ouro descoberto nas Minas em fins do XVII e seguiu sendo percorrido por tropeiros e viajantes mesmo depois da escassez do metal no XIX. A Vila de N.S. dos Remédios de Paraty tornou-se importante centro econômico e comercial por onde se iniciava o trecho terrestre do caminho, tendo suas características urbanas transformadas, ganhando os principais bens imóveis que lhe dão hoje feição. Expandiu-se, até meados do XIX, em função do tráfico de escravos que utilizavam o caminho para chegarem às fazendas de café e do escoamento da produção cafeeira. A história do que hoje chamamos por Caminho Velho do Ouro iniciasse muito antes da chegada dos portugueses no Brasil. Era utilizado pelos índios goianás ou goiamimins que habitavam a região para se comunicarem com a "aldeia de cima", no Vale do Paraíba. A estrada viria a ser efetivamente utilizada pelos portugueses a partir de 1660, quando Salvador de Sá, governador geral das Minas, na busca de ouro e pedras preciosas, manda ampliar a estreita trilha. Na virada do século XVII para o XVIII, a notícia arrasadora da descoberta do ouro nas Minas fez com o que único caminho já aberto e conhecido ganhasse importância central no contexto colonial, servindo como acesso principal das tropas que viajavam pelo país. Mas a primazia durou pouco e em 1698, Garcia Rodrigues Paes, filho de Fernão Dias, recebe a incumbência de abrir um caminho mais direto e protegido para as Minas, que evitasse o incômodo caminho marítimo. Isto porque o Caminho Velho de Paraty incluía um trecho via mar até o Rio de Janeiro, considerado perigoso já que vulnerável a ataques piratas (RIBAS, 2003; SANTOS, 2001).  Aberto o Caminho Novo de Rodrigues Paes, por volta de 1700, e com o fluxo de ouro tomando proporções fora do controle fiscal da Coroa Portuguesa, esta proíbe o uso da estrada de Paraty. Em 1715, é solicitada pelos vereadores da Vila a reabertura do caminho, no que são atendidos. A estrada nova, via Duque de Caxias, era considerada muito erma, sem qualquer infra-estrutura, e a de Paraty, já utilizada há mais tempo, oferecia maiores "comodidades" às tropas.
Com a abertura da Variante do Caminho Novo ou Caminho do Proença, que encurtava o caminho de Rodrigues Paes em três dias, partindo do Porto Estrela, a estrada de Paraty ganhou forte concorrente. Mas seu movimento não cessou. O caminho prosseguiu sendo percorrido, sobretudo após as leis para o fim da escravidão, servindo como via clandestina para o tráfico dos escravos que desembarcavam em Paraty-Mirim. Em 1751, Paraty era o segundo porto em importância do país, não apenas pela circulação de ouro, mas também de produtos como sal, aguardente e um sem número de outros produtos agrícolas, fundamentais nas trocas comerciais do período. Abastecia as vilas do Vale do Paraíba, as tropas que tinham na vila um ponto de parada obrigatório e a própria Capital da província. A região era grande produtora de aguardente, sendo, por isso, a cultura básica do município a cana de açúcar (STRAUSS & SENE, 1997). Com a instalação das estradas de ferro no Vale do Paraíba e com o tráfico de escravos escasseando na segunda metade do XIX, inicia-se a decadência do Caminho Velho do Ouro, consolidada em 1925 com a abertura da estrada de rodagem Paraty-Cunha. A estrada é progressivamente deixada ao abandono até tornar-se, na virada do século XX para o XXI, alvo de  interesse de estudiosos, empresários e guias turísticos.
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Fonte: Pesquisa realizada em 04 de Setembro de 2014, Trabalho de Ribas, Marcos Caetano, A História do Caminho do Ouro em Paraty: Contest Prudução Cultural, 2003, - Paraty - Registro do Caminho do Ouro. Paraty. mimeo,2002.
 
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MAPAS DE SANTOS - Carta corográfica - Cap. de S. Paulo, 1766 Fonte: http://www.novomilenio.inf.br/santos/mapa106.htm 
Obs: Alto da Serra, Caminho Velho, Estrada Real do Sertão, Caminho dos Paulista, Caminho Geral do Sertão, Caminho do Ouro, Caminho dos Tropeiros,  Núcleo Embrião de Piquete-SP.