quarta-feira, 3 de setembro de 2014

ECOS EM SÃO PAULO DA GUERRA DOS EMBOABAS... * (Transcrição)

 ECOS EM SÃO PAULO DA GUERRA DOS EMBOABAS. ORGANIZAÇÃO DA COLUNA DE AMADOR BUENO DA VEIGA VINGADORA DO MORTICÍNIO DO CAPÃO DA TRAIÇÃO. MALOGRO DESTA EXPEDIÇÃO. A HÁBIL POLÍTICA DE ANTÔNIO DE ALBUQUERQUE COELHO DE CARVALHO. PACIFICAÇÃO DOS ESPÍRITOS. A CRIAÇÃO DA CAPITANIA DE SÃO PAULO E MINAS DO OURO. ELEVAÇÃO DE SÃO PAULO A CIDADE CAPITAL A TENSÃO de relações entre paulistas e emboabas reflete-se nítida nas Atas da Câmara de São Paulo e pela primeira vez em fins de 1707. Os primeiros ecos nos acontecimentos sanguinolentos das Minas Gerais ressoam nas Atas a 15 de fevereiro de 1709. Lança a Câmara Paulistana alto brado de solidariedade, em solene e orgulhosa atestação dos direitos de sua gente sobre aquele território “nossa conquista”. Apelava para o veredicto de uma assembléia popular.
 
Foi então que “a instância e requerimento no Povo, todos universalmente e todos por uma voz, elegeram por cabo universal para qualquer invasão e defensa da pátria, bem usual dela e sua conservação ao Capitão Amador Bueno da Veyga, a quem haviam de obedecer como a seu cabo maior em tudo o que fosse em prol do que assim ficava dito”. Cento e dezessete cidadãos acompanharam a Câmara. A assinatura de Amador Bueno da Veiga, o eleito Cabo Maior, foi a primeira que surgiu após as dos oficiais. A ela se seguiram as de muitos homens notáveis do bandeirantismo. Curiosas as declarações restritivas de dois personagens da mais alta importância, em uma república: Pedro Taques de Almeida que declarou “assino constrangido” e Manuel Bueno da Fonseca que ainda mais longe foi: “Assino constrangido e molestado”. Quatro meses decorreram antes de se porem os paulistas em marcha para o revide do morticínio no Capão da Traição. Interessante a declaração que Amador Bueno da Veiga deixou perante os camaristas. À expedição qualificava de viagem para as Minas por bem da pátria. A 24 de agosto clamou a câmara à sua presença o Cabo Maior e fez-lhe observações graves. Levaram estas o caudilho a compromissos sérios, tendentes a demonstrar que acima de tudo eram os paulistas leais vassalos de Sua Majestade .Sabedor no que ocorria com São Paulo alvorotou-se o recém-nomeado Capitão-General Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, a quem incumbira D. João V a pacificação na zona mineira. Empossado do governo, a 11 de junho de 1709, no Rio de Janeiro, partiu imediatamente para as Minas. Ali, como se sabe, obteve a submissão de Nunes Viana, excluído, aliás, da anistia régia, indo então a São Paulo, a ver se conseguia aplacar a justa ira dos paulistas. Foi então que em Guaratinguetá encontrou acampado o corpo de exército de Amador Bueno da Veiga. Não conseguindo desarmar os paulistas, e receoso de desacato, retirou-se para o Rio de Janeiro. Fracassou, porém, como tanto é sabido, a campanha de Amador Bueno ante a resistência dos emboabas assediados no Rio das Mortes mais tarde São João d’El-Rei.
Itinerário que seria percorrido na viagem para as Minas por bem da pátria em conformidade com o Mapa de Santos de 1776 -  Guaratinguetá, Piedade (Lorena-SP), Alto da Serra, Garganta do Sapucai, Desfiladeiro de Itajubá, Meia Lua, Boa Vista,  (Piquete-SP). Caminho Velho, Estrada Real do Sertão, Caminho dos Paulistas, Caminho Geral do Sertão, Caminho Velho, .(grifos meus)