domingo, 13 de março de 2016

Os potentados do Ouro e as estratégias de ascensão social. Como tornar - se nobreza nos trópicos. - (Minas Gerais – século XVIII) - Autor - Cláudia O TONI

(Transcrição)
1 INTRODUÇÃO
Ao se traçar um perfil dos potentados do ouro em Minas Gerais do século XVIII, alguns já inventariados pela historiografia, percebe-se que eram conquistadores ou  descendentes de algum conquistador, tinham cargos de mando na Câmara e na administração,  possuíam títulos, como o de cavaleiros de ordens importantes, tinham sob seu comando  escravos, índios, mulatos, mamelucos, homens livres e pobres e estabeleciam redes com  vários segmentos sociais, num mandonismo local que possuía além da força, a capacidade de  negociação com as camadas subalternas.
Embora os potentados em Minas Gerais do final do século XVII e início do século  XVIII fossem considerados pelos governadores como opositores ao governo, devido à sua  independência em relação ao poder central português, a maioria acabou sendo agraciada com honras e mercês porque prestaram algum tipo de serviço à Coroa. 
De acordo com Luciano Raposo de Almeida Figueiredo: é necessário deixar claro que esses Grandes, a despeito da facúndia com que reclamavam direitos imemoriais e estrilavam contra a usurpação, não  pareciam alimentar planos mais sérios do que comover os sentimentos do Rei  em busca de melhores condições de barganha. Do soberano continuavam a  esperar honras e distinções,  mercês e hábitos, gêneros valorizados de modo  especial por súditos que habitavam as fímbrias das conquistas ultramarinas (FIGUEIREDO, 2001, p  237).
 A questão de maior problema entre os potentados e a Coroa se deu quando o governo passou a estender os tributos ao sertão. Os grandes proprietários não aceitavam pagar estes impostos alegando o direito de conquista e os riscos que haviam corrido neste desbravamento. Na medida em que a ordem pública avançava, eclodiam sedições contra tal avanço, nas quais os proprietários buscavam ter seus direitos respeitados. E muito embora houvesse  um espaço privilegiado para a ordem privada, os motins aconteciam sempre que se rompia com os acordos costumeiros entre os colonos e a Metrópole. E de fato, os propósitos da Coroa  na maioria das vezes eram contrários à prática cotidiana da população local. A Coroa que possuía uma economia dependente das receitas da colônia brasileira procurava agir politicamente com bastante cuidado devido ao descontentamento com a sua política tributária, ocasionando uma relação instável entre os súditos e o governo ultramarino. Entretanto, em vários momentos ocorreria uma cumplicidade entre a Coroa e os  potentados na manutenção da ordem pública, “afinal, tais potentados se viam como vassalos Del rey e tinham a ganhar na repressão de outros régulos. Isto lhes permitia destruir bandos adversários, ampliar seu poder nas localidades, além de estabelecer dons e contradons com Lisboa”. (FRAGOSO, 2005, p.147).
2 ORIGEM E TRAJETÓRIA DOS POTENTADOS
De acordo com o dicionário histórico do Brasil Colonial o  potentado é “um homem  poderoso, grande proprietário de terras que, principalmente nos sertões, exercia seu mando  de forma quase sempre autônoma, fugindo às tentativas de controle  metropolitano”. (BOTELHO, 2008, p.156).
As origens dos potentados em Minas Gerais se reportam às origens da descoberta do  ouro. As gentes que foram para as minas naquele momento eram principalmente os  negociantes de gado dos sertões do São Francisco, os comerciantes de escravos da Bahia, os paulistas com prática em apresamentos indígenas e os portugueses. Estes povoadores e conquistadores abriram perspectivas econômicas e de mando, com a promessa do Império Luso de retorno financeiro e de mercês. Contando com milícias  privadas de escravos armados-o que lhes conferia respeito e vantagens-se transformaram em poderosos locais, os chamados potentados.
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Fonte: http://www.iict.pt/pequenanobreza/arquivo/Doc/t2s2-02.pdf