sábado, 16 de abril de 2016

ENTRE DESEJOS LATENTES E CONTIDOS: IDEIAS, AÇÕES E TRAJETÓRIAS ABOLICIONISTAS NO SUL DE MINAS GERAIS. (Transcrição)

A pesquisa que apresentei ao programa tem como objetivo principal analisar o processo de  abolição da escravidão em Minas Gerais, de 1880 a 1888, tendo como área de  estudo  uma região  que hoje é conhecida imprecisamente como o “sul de Minas”.2  As questões orientadoras desse  projeto estarão voltadas a perceber e  analisar os últimos anos da escravidão  no sul mineiro e os  embate s travados  – tanto no campo das ideias, quanto das ações práticas, como aquelas que levaram  à formação de movimentos abolicionistas e à iniciativa de escravos em buscar os meios jurídicos  para se livrarem do jugo do cativeiro, por exemplo.
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Ao contextualizar a região, pode-se dizer que sua ocupação remonta ao início do século XVIII, quando os desbravadores da Capitania de São Paulo acreditavam ser possível encontrar as rentáveis catas de ouro que fizeram riqueza de muitos deles na porção central de Minas Gerais. O território sul mineiro não proporcionou riquezas provenientes do ouro, mas, mesmo assim, foi palco de diversas disputas territoriais entre a Capitania de São Paulo e a Comarca do Rio das Mortes, que administrava a região.5 Naquele momento, o arraial de Campanha ganhava grande destaque ao sul da capitania, a  partir do século XIX, passando a assistir as demais localidades próximas, o que rapidamente fez  com que o arraial ganhasse o status de vila , frente ao controle da sede da comarca, São João del Rei.  A região pretendida como termo de Campanha abrangia dez fregues ias(Lavras do Funil, Baependi,  Pouso Alto, Santa Ana do Sapucaí, Camanducaia, Ouro Fino, Itajubá, Cabo Verde e Jacuí). Seria  então esse conjunto territorial que hoje se denomina “sul de Minas”, tendo a vila de Campanha  como um dos principais centros econômicos e políticos da província.6  No século XIX, a região rapidamente ficou conhecida pelo seu potencial na agropecuária e, mesmo antes da crise da mineração em Minas Gerais, já despertava como uma importante área de produção de gêneros alimentícios para abastecer tanto a própria província mineira como também outras regiões do país. O termo de Campanha se tornava um grande “pólo de atração”7,  destacando- se a expansão comercial de suas freguesias e tendo o termo a grande responsabilidade em abastecer a Corte no Rio de Janeiro. O sul mineiro era um ponto estratégico que ligava o restante de Minas Gerais (e parte da província de São de Paulo) até a Corte. Assim, as freguesias do termo de Campanha passaram a ser caminhos obrigatórios para se fazer negócios, o que trouxe um dinamismo econômico, político e demográfico muito expressivo para a região durante todo o século XIX.8
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Fonte: Juliano Custódio Sobrinho http://www.escravidaoeliberdade.com.br/site/images/Textos.6/julianosobrinho.pdf
Parafraseando: Espaço colonial de Piquete, alto da Serra da Mantiqueira, Serra de Jaguamimbaba, Garganta do Sapucaí, Registro de Itajubá-MG, caminho necessário de passagem de escravos, alimentos e outros gêneros e utencílios,  interligava as fronteiras. Uma vez que a região de Campanha, grande "pólo e atração" destacando-se na expansão comercial de suas freguesia do lado Mineiro, estando contido na região do rio das Mortes, tinha como termo antes da separação da Capitanias, São Paulo e Minas Gerais e a criação da Comarca de Rio das Mortes em 1714, à localidade de Guaratinguetá-SP, Desta feita, o abastecimento da Corte do Rio de Janeiro, dava-se em decorrência de ser a região de fronteira, um ponto estratégico de ligação, pelo caminho Geral do Sertão, Caminho Velho, Estrada Real do Sertão, a Região do Sul de Minas a parte da província de São Paulo, no  Vale do Paraíba, em especial Guaratinguetá, importante "polo de abastecimento" por mais de 300 anos. Por outro lado, a condição de caminho obrigatório deve-se ao fato da convergência dos caminhos na região de Guaratinguetá e Vila da Piedade (Lorena-SP). Ou seja, o caminho Velho do Rio de Janeiro, via Paraty-RJ e o caminho dos paulistas, em Guaratinguetá. Assim como, o caminho Novo da Piedade iniciado em 1725, seguia em direção a fazenda Santa Cruz no Rio de Janeiro.