segunda-feira, 9 de maio de 2016

Parte do rio São Francisco, com seu afluente, o rio Verde, ao norte da Capitania de Minas Gerais (Transcrição)

 
O mapa sertanista, cujo título foi atribuído como “[Parte do rio São Francisco, com seu afluente, o rio Verde, ao norte da Capitania de Minas Gerais]”, de autor anônimo foi manuscrito no século XVIII.
Esta carta mostra o curso do rio São Francisco ao norte do atual Estado de Minas Gerais, ressaltando o seu afluente o rio Verde e algumas povoações e arraiais ao longo destes rios. Tais como: Anásio Siqueira, o castelo de Manuel Nunes Viana, o brejo Grande, São Caetano, Casa Brava, o arraial de Matias Cardoso, o povoado de Juazeiro, a Ilha de Estevão Raposo, os campos baixos, fazendas de Pado, o morro dos Coringas, os campos gerais, a vila de Itaverava, Capivara, o rio Barreiras, o povoado de Padre José Correia e o rio do Meio. No centro do mapa aparecem terras despovoadas. Além disso, inclui um pequeno trecho dos rios das Contas e dos Ilhéus no Sul da Bahia.
No que tange à história do Brasil é importante ressaltar que os bandeirantes se beneficiaram da extensa rede hidrográfica brasileira que a partir do Tietê, Pinheiros, Cotia e Piracicaba alcançavam a bacia do Prata, o Parnaíba e o São Francisco. Cabe destacar que o transporte não era apenas fluvial, como também, aproveitavam as margens dos rios, as trilhas indígenas e os rastros deixados por animais.
Por tudo isso, faz-se necessário traçar o perfil da chamada cartografia bandeirante e sua importância na História Colonial brasileira. De acordo com Jaime Cortesão, as cartas sertanistas e bandeirantes evidenciaram que ao lado da renovação científica da escola cartográfica portuguesa – motivada pela expansão territorial e a formação da nova economia mineira, a qual estava representada de início pelos dois padres matemáticos, Diogo Soares e Domingos Capacci – nasceu pelas mesmas razões no Brasil, e mais especificamente, em São Paulo, uma arte cartográfica nativa, em que “o quadro da cultura portuguesa remonta o primitivismo do aborígene, como uma força constante e essencial”.
Um ponto crucial para a cartografia bandeirante é a autoria. Para Jaime Cortesão, estes mapas foram feitos por bandeirantes propriamente ditos, isto é, sertanistas de São Paulo, moldados pelo gênero e o estilo de vida do bandeirantismo, e simples sertanistas de ocasião, luso-brasileiros de outras capitanias, reinóis residentes no Brasil, ou até servidores oficiais, civis ou militares. Vale dizer que todos os bandeirantes foram sertanistas, mas nem todos sertanistas foram bandeirantes.
De acordo com a historiografia tradicional, os bandeirantes eram considerados nobres e ricos mercadores, visão defendida por Oliveira Viana. Em 1929, houve uma inovação sobre o mito dos bandeirantes, o pioneiro neste trabalho foi Alcântara Machado que os analisou como modestos lavradores, pequenos mercadores e aventureiros rústicos. Mostrou que se dedicavam à agricultura de subsistência e à captura de índios pelo interior. Neste estudo o autor debruçou-se sobre o cotidiano da sociedade paulista para contestar a historiografia tradicional, destinada a erguer o mito dos bandeirantes.