domingo, 3 de julho de 2016

GEOGRAFIA HISTÓRICA DA OCUPAÇÃO DA ZONA DA MATA MIN EIRA: ACERCA DO MITO DAS “ÁREAS PROIBIDAS” (Transcrição)

II. Os Sertões do Leste como “Área Proibida”
No período colonial existiam vários sertões na Capitania de Minas Gerais. Na percepção dos moradores das vilas de São José e São João Del Rei, os sertões eram os cerrados do alto São  Francisco e as picadas de Goiás. Em Borda do Campo, as escarpas da Mantiqueira. Na Comarca de  Sabará, o médio São Francisco. E na de Vila Rica, as florestas do rio Doce (SOUZA, 1998 apudRODRIGUES, 2003, p.256).  No leste da capitania mineira, onde se insere a atual região da Zona da Mata e parte da do Vale do Rio Doce, as faixas orientais das Comarcas  de Vila Rica e do Rio das Mortes formavam um  espaço genericamente conhecido como  áreas proibidas ou  sertão do leste . Em termos de  localização, abrangia os seguintes conjuntos com suas respectivas divisas: a oeste, próximo à região  mineradora central, encontrava-se a freguesia de Guarapiranga, abarcando o vale do rio Piranga,  limitada a noroeste com os territórios dos distrito s de Ribeirão do Carmo e Vila Rica; ao norte,  evidenciavam-se os Sertões da Casa da Casca e do Cuieté, respectivamente, nos vales dos rios  Casca e Doce, cujos marcos divisórios eram dados pelas Comarcas de Sabará e do Serro Frio; o  lado leste era a parte mais imprecisa, pois estendia-se até os limites litigiosos na divisa entre as  Capitanias de Minas Gerais e Espírito Santo; e o sul era composto pela serra da Mantiqueira, no  vale da bacia do rio Paraíba. No centro da área destacava-se o Sertão do Rio da Pomba e Peixe dos  Índios Cropós e Croatos, no vale do rio Pomba6. O marco temporal de ocupação dos sertões do leste o u da Zona da Mata na literatura em  geral tem sido a segunda metade do século XVIII e,  principalmente, o início do XIX. Castro (1987,  p.41, 43 e 67), por exemplo, relatou que a área referida conservou-se em “estado absolutamente  primitivo, independente e segregado”, até o fim do  Dezoito. Para Mercadante (1973, p.22 e 25), a  Mata era desconhecida até a terceira metade do século XVIII. "Vista do litoral, pareciam-lhe  impenetráveis os sertões”. Apesar da proximidade com a costa, “a ocupação não se fizera”. O  fascínio exercido pelo ouro sobre as pessoas e a inexistência do metal na área, a restrição imposta  pela administração colonial à ocupação de espaços não povoados, com o intuito de combater os  possíveis descaminhos do ouro, a barreira natural formada de matas impenetráveis e de tribos  indígenas e a política do Reino que visava impor a especialização produtiva na extração do ouro  teriam sido os motivos norteadores do povoamento tardio. 
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Fonte: http://www.cedeplar.ufmg.br/seminarios/seminario_diamantina/2010/D10A081.pdf