quinta-feira, 13 de outubro de 2016

ANTHONY KNIVET - Vozes acorrentadas: narrativas e fontes sobre a escravidão no Brasil OUTUBRO 7, 2014(Transcrição)

Poucas narrativas de fontes primárias restaram sobre a escravidão no Brasil. Há quem conte cerca de 120 registros (segundo Robert Krueger), a maior parte fragmentários. Entretanto, esse corpus é praticamente desconhecido. Aqui estão algumas dessas narrativas notáveis.
Ironicamente, a opressão da escravatura não é racista. Apesar de a escravidão contribuir para a construção do racismo que estigmatiza a diáspora africana e seus descendentes, a escravidão no Brasil afetou a indígenas e mesmo a europeus. É o que conta um dos mais antigos relatos de escravos no Brasil, o do marujo inglês Anthony Knivet ou Knyvett (fl. 1591-1649). Depois do ataque pirata de Cavendish, Knivet foi abandonado em Ilhabela. Capturado, transformou-se em escravo nas plantações dos portugueses. Mesmo quando escapou, os tupi o venderam para o famoso Salvador Correia de Sá, o Velho, para quem trabalhou. Sua escravidão teve um termo quando em 1601, conseguiu voltar à Inglaterra. Seu livro Notável viagem que, no ano de 1591 e seguintes, fez Antonio Knivet, da Inglaterra ao mar do sul ou a versão em inglês The admirable adventures and strange fortunes of Master Antonie Knivet (publicada em 1625) podem ser encontrados na Biblioteca Digital Curt Nimuendajú.
Pirataria era um modo comum de aprisionar populações costeiras em servidão até o começo do século XIX. Os japoneses Cristobal e Cosme, capturados na Ásia por Cavendish tiveram algumas desavenças com o Knivet antes do ataque do pirata à costa santista. Foram os primeiros japoneses a chegar (e morrer) em paragens brasileiras. A madeirense ditaAngélique (1700?-1734) foi condenada à morte acusada de ter queimado boa parte de Montreal em 1734, sob o argumento que era notória sua mania de tentativas de fugas. O açoriano Peter Francisco (1760? –1831) foi sequestrado aos cinco anos e depois abandonado na Virgínia, tornando-se mais tarde um dos heróis da independência americana.
Quase nada há de história dos indígenas escravizados no Brasil, exceto pelas cartas dos jesuítas, e menos sobre os índios enviados para o Caribe e Europa. Desses índios enviados como figuras exóticas na Europa, um dos únicos personagens a entrar para a história foi Essomericq (1590?-1580?) ou Içá-Mirim, um carijó levado para a França e, pelo que parece, tratado bem e lá assimilado. Fonte: http://migre.me/vevrk