terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A ESTRADA DOS GOIASES (Transcrição)

Saindo de São Paulo, Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, traçou o que mais tarde viria a ser estrada de Goiás. Foi esta uma das mais fantásticas aventuras do bandeirismo paulista. O caminho atravessava os rios Atibaia, Jaguarí, Moji, Pardo e Sapucaí, até o Rio
Grande. Nesse caminho, até 1728, havia 30 pousos. Subiu o Anhanguera o curso desse último rio até ganhar o chapadão divisor das águas com a bacia do Paranaíba, rodeou as cabeceiras do rio Tijuco e Uberabinha e entrou no vale do rio das Velhas. Atravessou em seguida este rio entre São Miguel da Ponte Nova e Santa Ana. Subindo o chapadão da margem direita do rio das Velhas, continuou a bandeira pelos planaltos e declives ai pouco acentuados, indo as cabeceiras do rio das Pedras. Por este desceu ao lugar até hoje conhecido por Porto Velho42. A estrada dos Goiases foi aberta em 1722. A carta régia de 9 de setembro de 1726 concedeu a Anhanguera o direito das passagens sobre os rios entre São Paulo e as minas de Goiás. Em 1731, a Coroa antecipou-lhe os direitos de passagens nos rios Jaguari, Atibaia, Grande, das Velhas e Corumbá43. De São Paulo ao rio Grande o caminho dos Goiazes distava 89,08 léguas, ou 538,8 quilômetros44. Como anotou o maior de todos os historiadores paulistas, Afonso de Escragnolle Taunay, em “Anais do Museu Paulista”, tomo XIV, pág. 330, em estudo sob o título “Distâncias de pouso a pouso desde a cidade de São Paulo até Goiás”, a referida estrada, que foi um portento de audácia, cobria as seguintes distâncias no território da Capitania de São
Paulo:
São Paulo a João Pinto – 3 léguas; João Pinto a Juqueri – 2 léguas; Juquerí a Vila de Jundiaí – 5 léguas; Jundiaí ao rio Capivari – 4 léguas; rio Capivari a São Carlos de Campinas – 4 léguas; São Carlos de Campinas ao rio Atibaia – 3,5 léguas; rio Atibaia ao rio Jaguarí – 1 légua; rio Jaguarí ao rio Pirapitingui – 2,5 léguas; rio Pirapitingui ao rio Moji-Mirim – 3 léguas; rio Moji-Mirim ao rio Moji-Guaçu – 1 légua; rio Moji-Guaçu ao rio Oriçanga – 2,8 léguas; rio Oriçanga ao rio Taquarantã – 3,25 léguas; rio Taquarantã ao rio Itupeva ( onde se situava o antigo registro) – 2,5 léguas; rio Itupeva ao rio Jaguari-Mirim – 1,25 léguas; rio Jaguari Mirim aos Olhos d’Água – 2 léguas; Olhos d’Água à Freguesia de Casa Branca – 2,5 léguas; Casa Branca à Fazenda do Regente, ou Paciência – 3 léguas; Fazenda do Regente, ou Paciência, ao rio Pardo – 4,25 léguas; rio Pardo ao Cubatão – 3,25 léguas; de Cubatão a Lages – 3 léguas; de Lages ao Cerro – 3,5 léguas; de Cerro aos Batatais – 2 léguas; de Batatais a Paciência – 2 léguas; de Paciência ao rio Sapucaí – 1,5 léguas; do rio Sapucaí a Santa Bárbara – 2,8 léguas; de Santa Bárbara ao Arraial de Franca –3,8 léguas; de Franca ao Machado – 2,5 léguas; de Machado a Ressaca – 4,5 léguas; de Ressaca ao Pouso Alto – 3,5 léguas; Pouso Alto ao rio das Pedras – 4 léguas e rio das Pedras ao rio Grande – 4 léguas. O rio Sapucai-mirim aparece em destaque na Carta Corográfica da Capitania de S. Paulo de 1766. Não deve ser confundido com o rio Sapucaí (guaçu) de que já falamos. Desce de Minas Gerais nas proximidades de Itamogi para desaguar no Rio Grande depois de atravessar território bastante grande do Estado de São Paulo. Passa nas proximidades de São Joaquim da Barra, atravessando a Estrada de Goiás. Luís D’Alincourt a ele se refere em sua “Viagem do Porto de Santos à Cidade de Cuiabá”. O Padre Francisco Bueno de Azevedo visitou mais de uma vez esses lugares e fez batizados no “cítio chamado do Sapocahy”.(1)

Nota:  O Rio Grande a que se refere o roteiro não é o mesmo rio Grande, afluente e  um dos formadores da Bacia do Rio Parana? Por outro lado, ao identificarmos no Roteiro do Padre vigário João de Faria a sentença "...e da serra da Boa Vista até o rio Grande são 15 dias de jornada, cuja cabeceira nascem na serra de Juruoca", não estamos falando de caminhos que se cruzam?  Consequentemente, parafraseando, descendo a dita vila de Taubaté, para a de Guaratinguetá, tomando a estrada real do sertão para a parte norte, sobre o monte de Mantiqueira, quadrilheira do mesmo Sapucaí,  não estamos falando do mesmo Roteiro da expedição de André de Leão de 1601, descrito por Alexandre Grymmer em especial no que diz respeito a toponímia Rais do Monte?  Por sua vez é possível negar que  fora via Vale do Paraíba, o caminho percorrido pelas expedições do sétimo Governador Geral, que passou a governador independente da parte Sul chamado "distrito das minas" (São Vicente, Rio de Janeiro e Espirito Santo) entre 1608 e 1612, o primeiro caminho percorrido em direção ao Centro Oeste? Não estamos falando exatamente do Caminho do Meio, Estrada Geral que ligava os Sertões, Sertão dos Paulista, Sertão de Minas, Sertão de Goiáis e Sertão da Bahia?(2)

GUIA DA UNESCO - Una guía para la administración de sitios e itinerarios de memoria.

Ficha 22: Ruta de la libertad (A Rota da Liberdade), São Paulo, Brasil (A Rota da Liberdade), São Paulo, Brasil ■ ANTECEDENTES ■ ANTECED...