terça-feira, 27 de dezembro de 2011

João de Lencastre

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No Brasil

D. João de Lencastre (Lisboa, 1646 — Lisboa, 1707) que se assinava na grafia da época D. Joao de Alencastro, foi um administrador colonial português. Foi nomeado governador-geral do Brasil, com patente dada em 22 de fevereiro de 1694. Era filho de D. Rodrigo de Lencastre (morto em 1657), comendador de Coruche, e de D. Inês Maria Teresa de Noronha e Castro. Foi ainda governador dos Algarves.
Militar, distinguiu-se na guerra de Castela até 1668; em 1683 na armada que foi a Savóia buscar a Rainha; capitão general do Reino de Angola por carta patente de 23 de março de 1688.
D. João tomou posse na Bahia em 22 de maio de 1694 como governador-geral das capitanias do Sul até 3 de julho de 1702, quando assumiu D. Rodrigo da Costa. Seu primeiro cuidado foi o de reparar as fortificações, extinguir os Palmares. Exigiu que se criassem juízes de vara branca (também chamados juízes de fora) na cidade. Grande entusiasta da pesquisa de minas, chegaria a fazer pessoalmente algumas entradas.
Recebeu carta escrita em 29 de julho de 1694 em que Bento Correia de Souza Coutinho lhe descreve as recentes descobertas nos chamados Cataguazes: «De frente da vila de Taubaté quatro ou cinco dias de viagem se acha estar o rio Sapucaí e descendo da dita vila para a de Guaratinguetá, tomando a estrada real do sertão 10 dias de jornada para a parte norte, sobre o monte de Amantiquira, quadrilheira do mesmo Sapucaí, achou o Padre vigário João de Faria, seu cunhado Antônio Gonçalves Viana, o capitão Manuel de Borba e Pedro de Avos vários ribeiros com pintas de ouro de muitaconta; e das campinas da Amantiquira cinco dias de jornada correndo para o Norte, estrada também geral do sertão, fica a serra da Boa Vista onde começam os campos gerais até confinar com os Bahia; e da serra da Boa Vista até o rio Grande são 15 dias de jornada, cujas cabeceiras nascem na serra de Juruoca, de frente dos quais serros até o rio dos Guanhanhãs e um monte de Ibitipoca tem 10 léguas pouco mais u menos de círculo, toda essa planicie com cascalho formado de safiras».
E continuava, tranquilamente:
«Entre essa distância estão muitos montes escalvados pelos campos e muitos rios, e em um destes montes que se chama o Baependi, se suspeita haver metal pela informaç ão que deixou o defunto Bartolomeu da Cunha; e adiante passando o rio Igarai se achava uma campina dilatada de minas de cristais finissimos e indo fazendo a mesma derrota se acharam muitos morros escalvados e campos gerais, cujos morros mostram terem haver para muitas experiências que se tem feito que por falta de mineiros não se sabe o que é. (…) Esta quantidade de campos e capões é regada de muitos rios, uns grandes e outros pequenos, em que não pôde faltar ouro e lavagem, que por não ter lugar não fiz o exame.» O que essa carta prova é que mesmo antes de 1694 se faziam experiências, numerosas e diversas, em rios e córregos dos trilhos que comunicavam a zona de São Paulo com o sertão dos Cataguazes.
Em 5 de novembro de 1694 Lencastre escreveu uma carta em que exigia que o idoso mineiro Bento Surrel Camiglia o acompanhasse em sua entrada. Desejoso, em 1695, de devassar a região além da serra de Jacobina (tendo constatado existirem minas de salitre) com o ainda grande sertanista Domingos Afonso Sertão por guia e apontador; determinou levar o idoso mineiro Bento Surrel Camiglio, o Desembargador Belchior da Cunha Brochado, o engenheiro Francisco Pinheiro, o coronel Pedro Barbosa Leal, Antônio de Brito de Castro e Sampaio e Miguel Soares Henrique.
Recebeu em 6 de junho de 1698 curiosa carta de Lopo de Albuquerque da Câmera:
«Vou com esta e com toda a verdade dar conta a Vossa Senhoria que, vindo dessa Bahia de minha casa e fazenda a este sertão do rio São Francisco com certos indicios de fazer a Sua Majestade um singular serviço, descobri em certa parte um padrão de pedra com um título escrito com letras redondas em que li o seguinte: «Minas de prata que achei neste lugar no ano de 1614 que a seu tempo saberá Sua Majestade delas». E, E observando o lugar assinalado, vi que reluziam de maneira a terra e pedras que logo tirei algumas da superfície que remeto a Vossa Senhoria para mandar fazer experiência, e tendo alguma conta será de grande conveniência pela facilidade com que se pode abrir e conduzir o que eu farei nas primeiras diligências a minha custa, por fazer a Sua Majestade maior serviço. Não despreze Vossa Senhoria este meu alvitre porque é dado sem afetação alguma e só com a verdade com que costumo falar em toda a matéria, quanto mais nesta de tanto porte de que podem resultar aumentos para a Coroa, de que me ficam certas esperanças por estes e outros indicios que ninguem chegou a ter nesta pretensão e nesta certeza, terão entendido os oficiais da Câmara que eu não me ausentei por não servir este ano, como agora me avisam chamando-me. Vossa Senhoria me ordene o que hei de seguir, oara mostar em toda a ocasião que sou herdeiro do zelo de meus antepassados no serviço de Sua Majestade, que Deus guarde, e à pessoa de Vossa Senhoria muitos anos. Muito servidor de Vossa Senboria sou, LAC».
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