quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O TERRITÓRIO DO PODER: SEPARATISMO, RELAÇÕES DE FRONTEIRA E CLIVAGENS REGIONAIS NO SUL DE MINAS GERAIS, SÉCULOS XVIII E XIX Pérola Maria Goldfeder e Castro1 Universidade Federal de Ouro Preto (Transcrição)

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Em setembro de 1764, Luiz Diogo Lobo da Silva, então governador de Minas Gerais, partiu da Vila de São João Del Rey com sua comitiva em direção à região do Sul de Minas Gerais. Era seu objetivo reconhecer a linha divisória entre Minas Gerais e São Paulo, mas também e, principalmente, implantar medidas administrativas e fiscais que impedissem o extravio de ouro e salvaguardassem os interesses da real Fazenda. Durante três meses, o governador mineiro seguiu pelas encostas da serra da Mantiqueira e margens do rio Sapucaí, visitando localidades como Campanha, Baependy, Pouso Alto e Jacuí; nelas nomeando fiscais e oficiais de justiça para regularizarem a situação administrativa na região. Em Itajubá mandou abrir estrada que “[...] com a distância de seis léguas se facilita virem sair ao registro do Capivary, sem passarem pelo distrito de São Paulo, e fazendo todo o dito caminho pelo das Minas, para com o dito meio de se fechar o que do referido Itajubá havia para São Paulo” 12. Finda esta expedição, Luiz Diogo publicou Bando no qual ficavam reafirmadas as seguintes divisões: Faço saber aos que este meu Bando virem ou dele notícia tiverem, que, reconhecendo compreendidas dentro da demarcação deste governo das Minas Gerais as terras que formam as novas descobertas dos Rios São João do Jacuí, São Pedro de Alcântara e Almas, Ribeirão de Sant’Ana até a Serra que termina no Rio Grande, no sítio chamado Desemboque, e todos os mais distritos que fazem a divisão desta capitania, na conformidade da Real Ordem de que se faz menção a carta do Ilmo e Exmo Sr. Conde de Bobadella, de 27 de maio de 1749, cometendo ao Desembargador Tomaz Rubim de Barros Barreto a dita divisão e ordenando-lhe a fizesse como com efeito fez, segundo a insinuação da dita carta, principiando-a do alto da Serra da Mantiqueira, do sitio em que se achava um marco conhecido como ponto de demarcação da antiga Capitania de São Paulo com a de Minas, o qual se conservaria tirando uma linha pelo cume da mesma Serra, seguindo-a toda, até topar com o marco do Lopo e deste e obter com a de Mogyguassú, e desta também pelo seu cume aos rumos que seguisse, pertenceria a cada um dos governos até findar no Rio Grande, baliza também do de Goiás [...]13 Da leitura deste documento pode-se inferir que o governador de Minas Gerais não intencionava traçar novas fronteiras entre sua jurisdição e a de São Paulo, antes legitimar as retificações estabelecidas por Gomes Freire de Andrade em 1749. Todavia, com a restauração da Capitania de São Paulo em 1765, paulistas e mineiros voltaram a divergir nas interpretações dadas aos documentos em questão. O século XVIII finalizou-se com um importante marco no processo de territorialização da região sul-mineira e definição das fronteiras entre Minas Gerais e São Paulo, que foi a elevação da freguesia da Campanha a condição de vila, em 1799. Desde a época da descoberta das Minas do Rio Verde, a criação de uma vila ao extremo sul da capitania de Minas Gerais já era aventada pelas autoridades locais, dado o intenso afluxo de pessoas para a região. Outro fragmento da carta de Cipriano José da Rocha ao governador das Minas nos sugere tal previsão: [...] Serão as Minas uma dilatada povoação, tanto pela extensão, que cada dia cresce, como pela comodidade do País, terra produtiva de mantimentos e os ares benévolos. Vai entrando muita gente, tem mantimentos em abundância e bom cômodo, e continuamente estão entrando carregações. Será preciso criar-se vilas com justiças pela distância que está a vila, sem embargo de eu mandar pôr em direitura o caminho que fica (sendo) um pouco mais de três dias, mas sempre é distância14.
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Fonte: http://migre.me/79JJv
Nota: Parafraseando, no que diz respeito a fechar o caminho  que do referido Itajubá havia para São Paulo, não é possivel que exista dúvida de que está se falando, do caminho percorrio pelas primeiras expedições que partiram de São Vicente, entre outros a de Adré de Leão, rumo ao Alto do Sapucaí e Verde. passando pela Núcleo Embrião de Piquete, Raiz do Monte, Pico do Meia Lua. Em definitivo o muro de pedra ou piquetes constantes, em mapas da região do meia lua, em Piquete-SP, assim como o Registro de Itajubá, estão relacionados aos marcos divisórios  causa de grande conflitos no caminho geral do sertão.

GUIA DA UNESCO - Una guía para la administración de sitios e itinerarios de memoria.

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