Introdução (Transcrição)
Neste trabalho iremos falar sobre Os bandeirantes. O que foi, quem foi, o que fizeram, suas conseqüências, seus objetivos, quando ocorreu, porque ocorreu; etc.
Neste trabalho iremos falar sobre Os bandeirantes. O que foi, quem foi, o que fizeram, suas conseqüências, seus objetivos, quando ocorreu, porque ocorreu; etc.
Bandeirantes
Denominam-se bandeirantes os sertanistas que, a partir do século XVI, penetraram nos sertões brasileiros em busca de riquezas minerais, sobretudo a prata, abundante na América espanhola, indígenas para escravização ou extermínio de quilombos.
Tradicionalmente, os historiadores distinguem as entradas, como movimentos promovidos pelo Governo, das bandeiras, como expedições particulares, com fins lucrativos.
História
Segundo um Bando Real de 1570, a Lei das Ordenanças, nas zonas rurais, em vez da Companhia de Ordenanças, se organizava uma Bandeira: tinha formação similar à de uma companhia sendo seus componentes divididos em esquadras, reunindo-se os que estavam até a uma légua da sede do capitão-mor. Esta a origem das bandeiras que, com um capitão e seus cabos, exploraram e devassaram o território brasileiro (era uma forma de proteção contra os ataques indígenas que já haviam destruído uma expedição de Martim Afonso em Cananéia e de Solis no Mar do prata).
Povoado de relevo foi o de São Paulo, e o surto das bandeiras teve origem na obra dos jesuítas com suas expedições de resgate ou tropas de resgate para libertar prisioneiros de uma tribo que, atados a cordas ou encerrados em currais, destinavam-se à morte (Os jesuítas organisaram 12 vilas no séc XVI ao sul do rio Paranapanema. Estes padres foram advertidos por Antonio Raposo Tavares para deixarem o país. No século seguinte, todos os padres jesuítas foram expulsos das colônias portuguesas por sugestão do Marquês de Pombal).
No início da colonização, os interesses de Portugal se concentravam no litoral ou próximo dele. O extrativismo do pau-brasil, mesmo o plantio da cana-de-açúcar não se expandiram pelo interior. O fator orográfico, com certeza, foi um dos que mais desmotivaram a penetração dos colonizadores: a Serra do Mar, que mais parece uma grande muralha, recoberta por densas matas, dificultava a penetração. Em 1585, Fernão Cardim, tendo acompanhado o padre jesuíta Cristóvão de Gouveia de São Vicente a São Paulo, relatou: "O caminho é cheio de tijucos, o pior que nunca vi e sempre íamos subindo e descendo serras altíssimas e passando rios e caudais de águas frigidíssimas". Os rios serviam somente como pontos de referência, oferecendo poucas condições à navegação, com quedas d'água, corredeiras e formações rochosas. Esse foi outro fator que atrasou a penetração do branco no território brasileiro.
As conseqüências
Os mais famosos bandeirantes nasceram no que é hoje o estado de São Paulo. Foram os responsáveis pela conquista do interior e extensão dos limites de fronteira do Brasil para além do limite do Tratado de Tordesilhas, acordo firmado entre Portugal e Espanha com a intenção de dividir a posse das terras do Novo Mundo. (Esta informação não está correta. Quando os Bandeirantes surgiram em redor de 1600, a fronteira brasileira já havia sido estabelecida por Pero Lopes de Souza em 1531. O descobrimento das Filipinas pelos espanhóis estava em território português e a Espanha não quis perder esta rica fonte de especiarias e forçou Portugal a mover o Meridiano de Tordesilhas em mais 17° para o Oeste, para que os seus limites não terminassem no imenso Pacífico, vejam: Tratado de Saragoça. Portugal enviou os dois irmãos Souza para a nova demarcação. Martim naufragou na entrada do Rio da Prata e Pero só conseguiu navegar dez graus no rio Paraná.
A Espanha nunca reclamou desta demarcação, senão os inconformados argentinos que causaram váras invasões).
No entanto, os resultados destas expedições foram desastrosos para os povos autóctones, ora reduzidos à servidão, deslocados e descaracterizados na sua identidade cultural, ora dizimados, não tanto pela violência dos colonos como pelo contágio de doenças para as quais os seus organismos estavam desprovidos de defesas.
As reduções organizadas pelos jesuítas no interior do continente
foram, para os paulistas, a solução para seus problemas: reuniam
milhares de índios adestrados na agricultura e nos trabalhos manuais, mais valiosos que os ferozes tapuias, de "língua travada" (as Reduções eram espanholas dos "Adelantados" e não eram portugueses). No século XVII, o controle holandês sobre os mercados africanos, no período da ocupação do Nordeste pelos holandeses, interrompeu o tráfico negreiro (Os holandeses
ocuparam as colônias portuguesas na África, exatamente para trazerem
mais escravos para o Brasil). Os colonos voltaram-se para a escravização
do índio para os trabalhos antes realizados pelos africanos (o Nordeste estava ocupado pelos holandeses
e somente após Nassau negociar com os produtores foi possível o retorno
agrícola). Com a procura houve elevação nos preços do escravo índio,
chamado o "negro da terra", que custava cinco vezes menos do que os
africanos. (O preço equivalente de um escravo na África até 1850 era de um saco de café e era vendido no Brasil por 40 sacos de café). Os paulistas não teriam atacado as missões durante dezenas de anos seguidos se não contassem com o apoio (ostensivo ou velado) das autoridades. Embora não se saiba bem quais as expedições promovidas pela Coroa e quais as de iniciativa particular, sendo também imprecisa a designação de entradas e bandeiras, o traço comum a todas foi a presença, direta ou indireta, do poder público (explicado com Raposo Tavares).
A ação dos bandeirantes
foi da maior importância na exploração do interior brasileiro, bem como
na manutenção da economia da colônia, fosse pelas suas consequências
para o comércio, fosse porque a captura de indígenas fornecia mão-de-obra para a agricultura, principalmente cana-de-açúcar. Para além disso, não pode deles ser dissociada a descoberta de
metais preciosos em vários pontos, metais esses que marcaram o papel do
Brasil no conjunto do Império Colonial Português ao longo do século
XVIII.
Os tipos de bandeiras
Houve três tipos de bandeiras: as de tipo apresador, para a captura de índios (chamado indistintamente o gentio) para vender como escravos; as de tipo prospector, voltadas para a busca de pedras ou metais preciosos e as de sertanismo de contrato, para combater índios e negros (quilombos).
De início, eram aprisionados os índios sem contato com o homem branco. Posteriormente, passaram a aprisionar os índios catequizados, reunidos nas missões jesuíticas. Grandes bandeirantes apresadores foram Manuel Preto e Antônio Raposo Tavares, que forneciam índios às fazendas do Brasil que necessitavam de mão de obra escrava e não contavam com suficiente quantidade de escravos negros.
A palavra paulista aliás segundo comenta o livro «Ensaios Paulistas», Editora Anhembi, São Paulo, 1958, página 636, se deve ao visconde de Barbacena: «Quer-nos parecer que a este governador-geral se deve o mais longínquo emprego até hoje divulgado do adjetivo paulista, ocorrente numa ordem expedida em 27 de julho de 1671. O gentílico deve ter-se generalizado rapidamente. Na documentação municipal de São Paulo aparece pela primeira vez em ata de 27 de janeiro de 1695.»
Sertanista é palavra que aparece em 31 de dezembro de 1678. Bandeira aparece a 20 de fevereiro de 1677 quando o sucessor de Barbacena narra que «os índios do vale do rio São Francisco haviam degolado várias bandeiras de paulistas. Uma consulta do Conselho Ultramarino de 1676, relativa a Sebastião Pais de Barros, ao se referir a sua expedição, fala da sua bandeira, como eles (os paulistas) lhe chamavam.» Já da palavra bandeirante o mais longínquo emprego que se conhece é muito mais recente. Verifica-se num documento assinado pelo capitão-general conde de Alva em 1740. Impressa, parece ter sido pela primeira vez em 1817, por Aires do Casal.
Bandeirismo de Preação (de captura, aprisionamento)
A partir de 1619, os bandeirantes intensificaram os ataques contra as reduções jesuíticas, e os artesãos e agricultores guaranis foram escravizados em massa. No entanto, muito antes de surgirem os primeiros aldeamentos
na bacia do Prata, os paulistas já percorriam o sertão, buscando na
preação do indígena o meio para sua subsistência. Essa "vocação
interiorana" era alimentada por uma série de
condições geográficas, econômicas e sociais. Separada do litoral pela
muralha da Serra do Mar, São Paulo voltava-se para o sertão, cuja
penetração era facilitada pela presença do rio Tietê e de seus afluentes que comunicavam os paulistas com o distante interior. Além disso, apesar de afastada dos principais centros mercantis, sua população crescera muito. É que boa parte dos habitantes de São Vicente haviam migrado para lá quando os canaviais plantados no litoral por Martim Afonso de Sousa entraram em decadência, já na segunda metade do século XVI, arruinando muitos fazendeiros.
Ligados a uma cultura de subsistência baseada no trabalho escravo dos índios, os paulistas começaram suas expedições de apresamento (ou preação) em 1562, quando João Ramalho atacou as tribos do vale do rio Paraíba. O bandeirismo de preação tornou-se uma atividade altamente rendosa. Para os paulistas, atacar as reduções jesuíticas era a via mais fácil para o enriquecimento.
Diante dos ataques, os jesuítas começaram a recuar para o interior e exigiram armas ao governo espanhol. A resposta foi nova ofensiva, dessa vez desencadeada pelas autoridades de
Assunção (Paraguai), que possuíam laços econômicos com os colonos do
Brasil. Mesmo após o término da União Ibérica, em 1640, quando os
guaranis finalmente receberam armas dos espanhóis os paulistas foram apoiados pelo bispo D. Bernardino de Cárdenas, inimigo dos
jesuítas e governador do Paraguai. Os reinos ibéricos podiam lutar
entre si na Europa; no entanto, as "repúblicas" comunitárias guaranis
eram o inimigo comum de todos aqueles que estivessem interessados na exploração sem limites das terras americanas.
............................................................................................................ Fonte: http://migre.me/7ep1Z