sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

MINERAÇÃO (Transcrição)

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O SÉCULO DO OURO
A enorme importância econômica e política adquirida pela mineração brasileira, interna e externamente, podem ser comprovadas por alguns indicadores. Um deles foi a forte imigração da metrópole para a colônia, a ponto de as autoridades verem-se obrigadas a aumentar as restrições à saída de pessoas do reino. Outro indicador foi o crescimento comercio colônia-metrópole. A mineração, com efeito, elevou o poder aquisitivo das camadas mais ricas da população e provocou o surgimento de cidades, cujos habitantes tinham necessidades de consumo cada vez mais diversificadas. Uma das conseqüências disso foi o crescimento nas vendas de mercadorias européias pela metrópole para abastecer a população colonial. E também o aumento do tráfico de africanos, com a entrada no Brasil de mais de um milhão de novos escravos, na maioria destinados às áreas mineradoras. Um terceiro índice da importância da mineração pode ser verificado na ampliação da burocracia colonial, com a criação de novas capitanias, comarcas e órgãos administrativos. Essa ampliação foi, naturalmente, acompanhada pelo aumento do número de funcionários civis, militares e religiosos. Assim, a riqueza da colônia provocou também a ampliação do aparelho do Estado e seu controle sobre a sociedade. Por outro lado, o deslocamento do eixo econômico da colônia, do Nordeste para o Sudeste, deu nova importância estratégica a todo centro-sul do território. Daí a mudança da sede do governo-geral de Salvador para o Rio de Janeiro em 1763. Com esse deslocamento surgiu um modelo de sociedade, mais urbanizado, diversificado e dotado de maior mobilidade social (é o processo pelo qual pessoas ou grupos mudam de lugar no interior da sociedade. Essa mudança pode ser horizontal ou vertical. No primeiro caso, o indivíduo passa de uma classe social para outra, situada acima ou abaixo da classe original. No segundo caso, o deslocamento pode tomar a forma de uma mudança de profissão). Entretanto, por trás dessa força e opulência, a mineração apresentava outra realidade, menos brilhante e ais opressiva. Esta se fazia sentir no aumento contínuo dos preços das mercadorias importadas vendidas às populações mineiras e geralmente pagas em ouro, nas pressões e ameaças dos cobradores de impostos – oficiais dos vários órgãos da Intendência e particulares, contratadores e arrematadores – espalhados pelas dezenas de registros e passagens (lugares onde eram cobrados impostos sobre a circulação de mercadorias entre diferentes regiões da colônia, por exemplo, sobre as tropas de mulas vindas do Sul para São Paulo com destino às minas), no contrabando generalizado, inclusive por parte do clero, como reação da população a cobrança de impostos e na violência de ladrões e salteadores que infestavam os caminhos mineiros. No final do século XVIII, a mineração estava visivelmente em decadência. Ouro Preto, uma das principais vilas e futura sede da capitania de Minas Gerais, que em 1759 chegara a ter cerca de 40.000 habitantes, em 1800 contava com pouco menos de 10.000, demonstrando o esvaziamento demográfico dos centros urbanos e o enfraquecimento econômico da região. Como economia complementar, funcionando segundo as regras do mercantilismo, a mineração produziu mais riqueza para a metrópole do que para a colônia. Entretanto, Portugal tampouco aproveitou de modo produtivo a enorme riqueza gerada pelas minas brasileiras. Faltava uma elite empresarial capaz de transformar o ouro do Brasil em investimentos geradores de novas riquezas como estava fazendo naquele momento a burguesia industrial inglesa. De fato, Portugal usou o ouro e os diamantes da colônia no pagamento dos déficits comerciais com a Inglaterra e outros paises europeus, assim como na edificação de obras publicas, palácios monumentais e mosteiros, como o Convento de Mafra (1730), o aqueduto das Águas Livres(1748) e a nova Praça do Comércio (1763) de Lisboa. Na Inglaterra, ao contrario, o ouro brasileiro integrou-se ao processo de crescimento econômico, investido no desenvolvimento da incipiente atividade industrial.
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GUIA DA UNESCO - Una guía para la administración de sitios e itinerarios de memoria.

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