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A memória da escravidão e sua patrimonialização:
A memória da escravidão e sua patrimonialização:
No começo dos anos 1990, a patrimonialização da escravidão e do tráfico atlântico de escravos se constitui como um movimento transnacional que ultrapassou os limites das Américas e da Europa e chegou até a África, onde adquiriu contornos particulares. No Benim, a emergência do debate sobre o passado escravista foi acompanhada por uma série de projetos oficiais, desenvolvidos pelo governo do país e também por agências internacionais como a UNESCO ou ainda por organizações não governamentais. Nesse contexto, até mesmo as elites locais, cuja história estava relacionada com o comércio de escravos, passaram a participar desse movimento de patrimonialização da escravidão. Vários descendentes de mercadores de escravos brasileiros e portugueses, juntamente com descendentes de antigos escravos que retornaram do Brasil para a África Ocidental, passaram a promover seu passado escravo no espaço público, contribuindo assim para o sucesso do fenômeno de patrimonialização. O surgimento da memória pública da escravidão no Benim está relacionado às comemorações dos quinhentos anos da chegada de Cristóvão Colombo nas Américas. Naquela época, por volta de 1990, discutia-se o fato de que o comércio atlântico de africanos escravizados e sua contribuição para a construção das Américas tinham recebido pouca atenção da parte do comitê que organizava as comemorações. Esse debate deu lugar a dois projetos distintos: um projeto científico transnacional intitulado “A Rota do Escravo” e o festival Ouidah 92: Festival mondial des cultures vaudou: retrouvailles Amériques-Afriques (“Ajudá 92: Festival mundial das culturas vodu: reunião Américas-Áfricas”), cujos focos eram respectivamente o desenvolvimento do turismo e as religiões africanas ditas tradicionais. No final das discussões, os dois projetos foram praticamente combinados e ambos receberam o apoio da UNESCO e do governo do Benim. 3 (Fonte: http://migre.me/aOHX7)