Apesar de serem o resultado de confrontos históricos ou de encontros pacíficos entre os povos, hoje os Itinerários Culturais apresentam uma pluralidade de dimensões partilhadas que para lá da sua função primitiva, oferecem um quadro privilegiado para construir uma cultura de paz inspirada não só em em elos comuns, mas também no espírito da tolerância, no respeito e na estima da diversidade cultural das diferentes comunidades humanas que contribuiram para a sua existência. A consideração dos Itinerários Culturais como nova categoria patrimonial harmonizase com outras categorias consagradas e reconhecidas. Reconhece-as e valoriza-as, enriquecendo o seu significado num quadro integrador, multidisciplinar e partilhado. Não se confunde tão pouco com outras categorias e tipos de bens (monumentos, cidades, paisagens culturais, património industrial, etc) que possam existir no seu seio. Religa-os no seio de um sistema unido e coloca-os em relação, numa perspectiva científica que fornece uma visão plural, mais completa e justa da história. Favorece não só a compreensão e a comunicação entre os povos, mas também a cooperação para a conservação do património. O conceito de Itinerário Cultural revela-nos o conteúdo patrimonial do fenômeno específico de mobilidade e de trocas humanas que se desenvolveu através das vias de comunicação que facilitaram a sua expansão e que foram utilizadas ou deliberadamente postas ao serviço dum objectivo concreto e determinado. Pode tratar-se de um caminho que foi traçado expressamente para atingir esse fim ou de uma via que utilizou, inteiramente ou em parte, caminhos já existentes e que serviram diversos fins. Mas, além da sua função como via de comunicação ou de transporte, a sua existência e o seu sentido enquanto Itinerário Cultural propriamente dito explica-se unicamente pela sua utilização histórica com um fim concreto e determinado e por ter favorecido a criação dos elementos patrimoniais associados a esse fim e que, sendo o resultado da sua própria e singular dinâmica, refletem a existência de influências recíprocas entre grupos culturais diversos durante um longo período da história. Portanto, os Itinerários Culturais não são simples vias históricas de comunicação que possuem elementos patrimoinais ou que servem como ligação entre si, mas fenômenos históricos singulares que não podem ser criados com a imaginação ou a vontade de estabelecer conjuntos de bens através de uma associação de elementos com características comuns. Por vezes, os Itinerários Culturais surgiram como um projecto traçado a priori pela vontade humana que contou com um poder suficiente para atingir um fim determinado (por exemplo, o Caminho dos Incas ou as Estradas do Império Romano). Outras vezes, são o resultado dum longo processo evolutivo no qual intervêm de forma colectiva diferentes factores humanos que coincidem e se dirigem para um mesmo fim (caso do Caminho de Santiago, das rotas das caravanas comerciais de África ou da Rota da Seda). Nos dois casos, trata-se de processos surgidos deliberadamente da vontade humana para conseguir um objectivo específico. Dada a riqueza e a variedade que podem oferecer as relações mútuas assim como os diferentes elementos directametne associados à razão de ser do Itinerários Culturais (como os monumentos, sítios arqueológicos, cidades históricas, arquitectura vernacular, patrimônio intangível, industrial e tecnológico, obras públicas, paisagens culturais e naturais, meios de transporte, saber fazer e aplicação das técnicas tradicionais específicas, etc) o seu estudo e tratamento exigem uma abordagem pluridisciplinar capaz de ilustrar e renovar as hipóteses científicas e de permitir o crescimento dos conhecimentos históricos, culturais, técnicos e artísticos.
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Definição
Um Itinerário Cultural é uma via de comunicação terrestre, aquática, mista ou outra, determinada materialmente, com uma dinâmica e funções históricas próprias, ao serviço dum objectivo concreto e determinado. O Itinerário Cultural deve também reunir as seguintes condições:
a) ser o resultado e o reflexo de movimentos interactivos de pessoas e de trocas pluridimensionais contínuos e recíprocos dos bens, das ideias, dos conhecimentos e dos valores sobre os períodos significativos entre povos, paises, regiões ou continentes;
b) ter gerado uma fecundação mútua, no espaço e no tempo, das culturas implicadas, que se manifeste tanto no seu património tangível como intangível.
c) Ter integrado, num sistema dinâmico, as relações históricas e os bens culturais associados à sua existência. Elementos definidores: contexto, conteúdo, valor de conjunto partilhado, carácter dinâmico e envolvente dos Itinerários Culturais
Fonte:Elaborada pelo Comité Científico Internacional dos Itinerários Culturais (CIIC)i do ICOMOS, ratificada pela 16ª Assembleia Geral do ICOMOS, em 4 de Outubro de 2008, no Québec, Canadá http://migre.me/dBzSD

Parafraseando: "mapa da Estrada Real/Caminho do Ouro, de Paraty a Ouro Preto. Um itinerário cultural, via Guaipacaré (Lorena-SP), Registro (Piquete-SP), Conceição do Embaú (Cruzeiro-SP), ou via Alto da Serra, caminhos já existentes e que serviam a diversos fins"