quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Caminhos atlânticos memória, patrimônio e representações da escravidão na Rota dos Escravos (Transcrição)

Patrimônio e turismo
A valorização dos sítios ligados ao tráfico atlântico de escravos no Benim remonta ao período posterior à Segunda Guerra Mundial. Pierre Verger, com a ajuda do IRAD, da França e da República Federal da Alemanha, incentivou e promoveu a restauração do antigo forte português de São João  Batista da Ajuda. Em 1967, o forte se tornou o Museu de História de Ajuda.10 O museu passou a ocupar a superfície de 1 hectare, que inclui um grande edifício, onde ficava a residência dos antigos oficiais portugueses, no qual se encontram hoje o acervo da instituição. O sítio contém ainda uma capela, uma antiga guarnição e as casernas. Em 1943, a administração colonial já tinha tomado a decisão de estabelecer o Museu Histórico de Abomé11 nos antigos palácios reais de Abomé. A área total do sítio totaliza 44 hectares. Os palácios dos reis Guezo e Glèlè, onde as coleções do museu são ex-postas, ocupam aproximadamente 2 hectares. Em 1985, após terem sido danificados durante um furacão, os palácios foram colocados, ao mesmo tempo, nas listas da UNESCO do patrimônio mundial e do patrimônio mundial em perigo.12 Os palácios foram incluídos nas duas listas da UNESCO porque eles correspondiam a dois critérios básicos estabelecidos pela organização: de um lado, eles trazem “um testemunho único ou pelo menos excepcional de uma tradição cultural viva ou desaparecida” e, de outro lado, eles oferecem um “exemplo eminente de um tipo de construção ou de conjunto arquitetural ou tecnológico ou de paisagem ilustrando um ou vários períodos significativo(s) da história humana”.13 O projeto de restauração e conservação dos palácios reais, que fazia parte do programa de Prevenção nos Museus da África (PREMA), foi realizado em parceria com o governo do Benim. A primeira fase do projeto começou em 1992, graças ao financiamento vindo de diferentes organismos, como a Cooperação Alemã, o Instituto Getty de Conservação e a Agência de Cooperação Cultural e Técnica (ACCT), atual Organização Internacional da Francofonia. Durante essa primeira etapa, as coleções foram recuperadas e organizadas em uma nova reserva. Entre 1995 e 1997, ao longo da segunda e terceira etapas, financiadas pelo fundo da Cooperação Italiana da UNESCO, foram encontrados 56 baixos-relevos que ornamentavam as paredes do antigo palácio do rei Glèlè. O trabalho dos restauradores consistiu em reunir a documentação sobre a arquitetura do sítio, treinar os restauradores e publicar os documentos de referência e em organizar um colóquio tendo como assunto os palácios reais. Os baixos-relevos coloridos que decoram as paredes do palácio formam uma história constituída por imagens, representando diferentes dinastias abomeanas. As representações dos guerreiros e guerreiras armados e dos prisioneiros decapitados descrevem claramente as campanhas militares do reino do Daomé contra os reinos vizinhos. No começo, pode-se afirmar que a restauração dos edifícios históricos se enquadrava numa perspectiva de valorização da memória do reino do Daomé e não necessariamente numa dinâmica de recuperação da memória da escravidão. No entanto, como na mesma época outros projetos ligados à memória da escravidão foram desenvolvidos no Benim, a restauração dos palácios teve o efeito de reavivar a memória da escravidão, não necessariamente do ponto de vista dos grupos escravizados, mas daqueles que participaram ativamente na produção e no comércio de escravos.
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 Fonte: http://migre.me/lJTuM
Nota: Desdobramento do Projeto Mundial da UNESCO, Rota do Escravo voltado ao Patrimônio e ao Turismo, no que diz respeito a valorização dos sítios ligados ao tráfico atlântico de escravos tona-se realidade no Brasil entre outros, com o reconhecimento do CAMINHO DO OURO, como Lugar de Memoria do Tráfico Atlântico de Escravos. Possibilitando afirmar que, esse Itinerário passa a fazer parte do patrimônio comum da humanidade
- Inventário dos Lugares de Memória do Tráfico Atlântico de Escravos e da História dos Africanos Escravizados no Brasil O trabalho de organização do Inventário dos Lugares de Memória do Tráfico Atlântico de Escravos e da História dos Africanos Escravizados no Brasil foi coordenado pelo Laboratório de História Oral e Imagem (LABHOI) da Universidade Federal Fluminense, em parceria com o Comitê Científico Internacional do Projeto da UNESCO "Rota do Escravo: Resistência, Herança e Liberdade". Reúne 100 Lugares de Memória e foi construído a partir da indicação e contribuição de diversos historiadores, antropólogos e geógrafos do país, após consultas e intensas trocas de informações. Sem essa generosa contribuição, inclusive na redação preliminar dos verbetes e indicação da bibliografia ou fontes de referência, não teria sido possível a reunião desse amplo material. O avanço da pesquisa histórica sobre o tráfico e a escravidão em nosso país permitiu a reunião dessas 100 indicações, mas temos certeza que estamos longe de esgotar o Inventário. Esse trabalho deve ser entendido como um ponto de partida para novas e futuras ações (nos âmbitos federal, estadual e municipal), tanto no campo da pesquisa histórica, como no do ensino, educação patrimonial, divulgação e desenvolvimento do turismo cultural dos Lugares de Memória do Tráfico e História dos Africanos Escravizados no Brasil. Demos prioridade às evidências documentais, escritas ou orais, da presença histórica e cultural dos africanos, com o objetivo de centrar o foco na ação e no legado dos recém-chegados. Por outro lado, sabemos que a lista seria interminável se tivéssemos optado por reunir os Lugares de Memória dos descendentes de africanos no Brasil. O inventário é sobre os locais onde é possível lembrar a chegada dos africanos ou identificar as marcas de sua presença e intervenção.
Escravizados em seu continente, entre os séculos XVI e XIX, muitas vezes em guerras internas entre os inúmeros reinos que existiam nas diversas regiões da África tocadas pelo tráfico, africanos de diferentes línguas e origens tornaram-se "escravos", categoria jurídica de época, no Brasil. Aqui reorganizaram suas identidades, criando novos sentidos para suas referências africanas. Nos verbetes, utilizamos tanto o termo jurídico de época (escravo) quanto o adjetivo "escravizado", que sublinha o caráter compulsório da instituição. Para referir às novas identidades africanas criadas Américas, respeitamos a diversidade de expressões utilizadas pelos especialistas consultados, refletindo diferentes cronologias, abordagens historiográficas e usos regionais. Se, de início, foi uma tarefa difícil a separação entre africanos e afrodescendentes, o esforço foi recompensado. O leitor também ficará impressionado com as dimensões das ações dos africanos escravizados no Brasil. Para melhor compreensão e maior visibilidade dos Lugares de Memória do Tráfico Atlântico de Escravos e da História dos Africanos, organizamos os 100 Lugares em 7 diferentes temáticas, apresentadas a seguir: Trabalho e Cotidiano
1. Praça do Pelourinho de Alcântara (Alcântara - MA)
2. Beco de Catarina Mina (São Luís – MA)
3. Árvore Baobá (Nísia Floresta – RN)
4. Mercado da Praia da Preguiça (Salvador – BA)
5. Ruínas das Senzalas do Engenho Freguesia (Candeias - BA)
6. Ruínas do Engenho Vitória (Cachoeira - BA)
7. Mina de Ouro do Chico Rei - Encardideira (Ouro Preto - MG)
8. Sítio Arqueológico do Morro de Santana (Mariana- MG)
9. Senzala da Fazenda Santa Clara (Santa Rita de Jacutinga - MG)
10. Chapada dos negros (Arraias – TO)
11. Caminho do Ouro - Estrada Real (Paraty –RJ)
12. Fazenda dos Beneditinos (Duque de Caxias - RJ)
13. Fazenda Lordelo (Sapucaia - RJ)
14. Fazenda e Senzala Machadinha (Quissamã - RJ)
15. Casa de Zungu – (Rio de Janeiro – RJ)
16. Estrada Velha São Paulo – Santos (SP)
17. Floresta Nacional de Ipanema (Real Fábrica de Ferro) (Iperó – SP)
18. Praça da Liberdade (São Paulo – SP)
19. Comunidade Quilombola Guajuvira (Curiúva – PR)
20. Invernada Paiol de Telha (Guarapuava - PR)
21. Porto de Desterro e Mercado Público (Florianópolis – SC)
22. Capela de Sant‟Anna (Florianópolis – SC)
23. Fazenda da Tapera da Barra do Sul (Florianópolis – SC)
24. Sítio das Charqueadas (Pelotas - RS)

Fonte: http://migre.me/lJY4f