terça-feira, 23 de setembro de 2014

MASSACRE NO CAPÃO DA TRAIÇÃO (Transcrição)

Via Registro (Piquete-SP),   - Nota: "Mas sabendo da vinda de reforços para auxiliar o português, os paulistas recuam na direção de Parati e São Paulo"

 

Borba Gato, então com oitenta anos, já não tinha a energia que a situação requeria. Diante da reação de Nunes Viana, limitou-se a repetir a ordem de expulsão, com ameaças de confisco de bens e de prender quem ajudasse o emboaba. Enquanto isso, Nunes Viana continua se armando. Sempre tentando evitar a guerra, Borba Gato comete dois erros táticos: firma uma espécie de paz provisória com Nunes Viana, estabelecendo uma dupla autoridade nas minas, e, pior ainda, deixa o centro dos acontecimentos, voltando para sua fazenda no rio Paraopeba.
Com Borba Gato ausente, um português é assassinado. Em represália, os emboabas lincham José Prado, pai do criminoso. As lutas se generalizam. Os paulistas, inferiorizados em homens e armas, retiram-se do lugar, incendiando, de passagem, as plantações do inimigo. Os emboabas reagem pondo fogo nos campos dos paulistas, em Ribeirão do Carmo (hoje, cidade de Mariana). Com estes concentrados na região do rio das Mortes, os emboabas estabelecem um governo próprio para a região. Nunes Viana é escolhido chefe e, depois de alguma relutância, pois o desrespeito à Coroa era claro, acaba aceitando. Para o lugar de Borba Gato, Nunes Viana nomeia Mateus Moura, um homem que já havia assassinado a própria irmã. Para seus lugar-tenentes, Nunes Viana escolhe dois foragidos da Justiça: Bento do Amaral Coutinho e Francisco do Amaral Gurgel.
Borba Gato, senhor dos sertões, não mandava mais. E de nada valiam suas cartas ao governador do Rio de Janeiro,
Fernando Martins Mascarenhas de Lencastre, denunciando Nunes Viana como contrabandista e acusando os emboabas:- São homens que entraram desaforando de toda a sorte. Cada vez que querem fazer um motim ou levantamento; para isso têm elegido cabos nesse distrito, e dado senhas, que não há mais que dá-la um, para todos estarem juntos.
Mas os emboabas ainda não estão satisfeitos: Bento do Amaral Coutinho ruma para o rio das Mortes. Sua missão é expulsar de vez os paulistas. Mesmo com menos gente, estes conseguem bater Bento do Amaral no arraial da Ponta do Morro. Mas sabendo da vinda de reforços para auxiliar o português, os paulistas recuam na direção de Parati e
São Paulo.Um grupo de cinqüenta bandeirantes, entretanto, não consegue escapar e é cercado pelos emboabas. Sob promessa de serem poupados, entregam suas armas e se rendem. Ao vê-los desarmados, Bento do Amaral Coutinho ordena o massacre. Nenhum paulista escapou. E o lugar do crime ganhou nome: Capão da Traição. Fonte: http://migre.me/lQzKQ
"Mas sabendo da vinda de reforços para auxiliar o português, os paulistas recuam na direção de Parati e São Paulo"