quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

CAXAMBU - MINAS GERAIS - IBGE

HISTÓRICO
Desde as primeiras entradas que se verificaram na região, os roteiros das bandeiras assinalavam com o nome de Caxambu determinada montanha, cujo característico - um cone truncado ­constituía fácil ponto de referência. Várias são as versões da origem do topônimo. Segundo uns autores, a designação de Caxambu teria raízes africanas e adviria da junção dos vocábulos cacha (tambor) e mumbu (música). Para outros estudiosos, o nome ter-se-ia originado de caa (mato), xa (ver), umbu riacho que quer dizer mato que vê o riacho.
Admite-se que, por força da provisão firmada por D. Fernando Martins Mascarenhas, datada de 30 de setembro de 1706, Carlos Pedroso da Silveira teria obtido, com seu genro Francisco Alves Correia, uma sesmaria na região, dando início a colonização.
Entretanto, apesar da fertilidade do solo, muito tempo se passou sem que a localidade atingisse grande desenvolvimento, o que só se verificou com a descoberta das fontes de águas minerais
Embora nada se posse afirmar a respeito da autenticidade das versões correntes sobre como teriam sido descobertas as minas, de águas minerais, parece certo colocar os primórdios do Município em 1748, quando Estácio da Silva solicitou ao Bispado de Mariana licença para a construção de uma capela nos terreno, onde morava. Sobre datas, há os que admitem que as minas seriam conhecidas desde 1762 ou 1772. O que parece fora de dúvida é que, em 1814, quando começaram a espalhar-se as notícias da existência das águas. ainda não existia nenhuma casa nas proximidades das mesmas, o que só se verificou em 1844, graças aos trabalhos de Felício de Oliveira Mafra.
Em 1875, reconhecidas as virtudes curativas das águas de Caxambu, o Governo da então Província de Minas Gerais concedeu a sua exploração a particulares.
Formação Administrativa
A 16 de novembro 1844, foi criada a freguesia de Nossa Senhora dos Remédios de Caxambu e somente em 1901 é que foram criados o Município e a vila de Caxambu, com território desmembrado de Baependi. A partir de então, foi contínuo o progresso de Caxambu, graças, sobretudo, a excelência de suas águas minerais.
Segundo a divisão administrativa, vigente em 31 de julho de 1956, o Município de Caxambu é constituído de apenas um distrito, do mesmo nome.
Fonte: IBGE - http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=313240&search=|itajuba
Nota: O dossiê encaminhado ao IPHAN, objetivando a inscrição do Jongo do Sudeste, no Livro de Registro da Formas de Expressão do Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial descreve a dança Rural jongo, informando outros nomes pelos quais também é conhecida, ou seja, "Tambor" e "Caxambu". Entre outras considerações, afirma tratar-se de uma herança cultural de linguá banto, habitantes do vasto território do antigo Reino do Congo, que teriam sido trazidos para trabalhar nas fazendas do Vale do Vale do Paraíba nas lavouras de cana de açúcar e café, (2)
Entretanto, dada as evidências documentais, é possível afirmar que a manifestação e existência da herança banto está relacionada no Sudeste com o inicio, ou até mesmo, antecedendo, ao período que se determinou chamar de 'a corrida do ouro". A assertiva faz sentido uma vez que, em uma das obras mais importantes para a historiografia brasileira, "Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas", (Andre João Antonil), de 1711. Em seu "Roteiro do caminho da Vila de São Paulo para as Minas Gerais para o Rio das Velhas", um verdadeiro registro toponímico de um Itinerário Cultural a "Rota da Diáspora Africana". Ao citar como exemplo as Cinco Serras Altas, correspondente ao contraforte da Mantiqueira, espaço colonial de Piquete-SP, onde a dança rural africana se faz presente até os dias de hoje. Em especial, após a transposição da Serra da Mantiqueira, ao descrever aspectos dos campos de altitude afirma: "Tem este campo seus altos e baixos; porém moderados; e por ele se caminha com alegria; porque tem os olhos que ver e contemplar na perspectiva do Monte Caxambu, que se levanta as nuvens com admirável altura". Ao referir-se a Caxambu, considerando que, uma toponímia está relacionada a consolidação de uma vivência, no contexto de uma visão de mundo. As informações passadas ao articulista, veio de alguém que se Caxambu não viu, possibilita no minimo, afirmar sua existência, resultante da cosmovisão reinante no seu tempo de viver ou de uma memória reinante. Ademais, a diáspora africana não se tratou de um fato isolado, mas da razão de ser, ou seja, os braços e penas dos senhores eram os escravos, como asseverou o mesmo André João Antonil. Hoje com o reconhecimento pela UNESCO, através do Projeto Rota do Escravo, do caminho do ouro, como lugar de memória da Escravidão e do Tráfico Atlântico, bem como a manifestação da dança rural Jongo. Esta mais que na hora, da comunidade de Caxambu, apropriar-se dessa magnifica História, e passar a ser, uma das mais valiosa, representação de resgate e vivencia dessa memória, na década inernacional do Afrodescendente.
1) Fonte: http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/59                                    
3) Certidão -  http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/JongoCertidao.pdf

 Mapa de Santos de 1776 - Morro do Cachumbu.