quarta-feira, 9 de março de 2016

OS CAMINHOS ANTIGOS DO BRASIL. - de S T R A V A G A N Z A by Leopoldo Costa (Transcrição)

IV. CAMINHO VELHO

 
O Caminho Velho foi aberto em 1660, por ordem do governador geral Salvador Correa de Sá e Benavides (1602-1688), e partia de Parati, aproveitando uma antiga trilha indígena. Tinha cerca de 8 palmos de largura (1,76 m).
Em 1597, Martim Correa de Sá (1575-1631) usou este caminho para alcançar o reduto dos índios tamoios em Minas Gerais, com uma expedição de 700 portugueses e 2.000 índios escravizados. Com este Caminho, a vila de Parati passou a ser o principal porto de exportação de ouro para a coroa. Chegou a ser o segundo porto da Colônia em volume de embarques, só superado pelo do Rio de Janeiro. Em 1703 foi criada uma casa de fundição de ouro na vila.
A partir da descoberta de ouro no sertão das Minas Gerais, em fins do século XVII, o seu trajeto alcançava a vila do Falcão (atual Cunha), de onde descia até o vale do rio Paraíba do Sul (próximo de Guaratinguetá), prosseguindo até Vila Rica (Ouro Preto) ele foi importante no escoamento do ouro das minas, transportado por via marítima de Parati para Sepetiba, e daí, por via terrestre  novamente, pelas terras da fazenda Santa Cruz, até ao Rio de Janeiro, de onde seguia para Portugal. Esta via estendia-se por mais de 1.200 quilômetros, que podiam ser percorridos em cerca de 100 dias de viagem . Devido ao risco de ataque de piratas e a ocorrência de naufrágios, o rei João V (1689-1750) recomendou, em 1728, a substituição do trecho marítimo, entre Sepetiba e Parati. Então, em meados do século XVIII já existia uma variante, o Caminho Novo da Piedade, que partindo do Rio de Janeiro, pelo caminho da fazenda Santa Cruz, alcançava o vale do rio Paraíba do Sul, onde entroncava-se com o Caminho de São Paulo na altura da cidade de Lorena.
Nota: Esse Mapa do Caminho do Ouro, produzido pelo Sitio Histórico Caminho do Ouro em Paraty. Possibilita definir o caminho percorrido à partir do porto Guaipararé (Lorena-SP) em demanda do Sertão das Minas Gerais. Ou seja, a toponímia,  Registro (Piquete), no mapa, demonstra qual era o caminho percorrido em continuação ao caminho dos paulistas, caminho da Piedade, relativamente aos que vinha do Rio de Janeiro, e caminho Velho,  no que diz respeito aos que vinham de Paraty, via Serra do Facão, Cunha-SP. Sendo certo que, antes que fosse autorizada a abertura do caminho por Cunha-SP, o caminho de Paraty passava por Taubaté, quando então, nesta localidade, encontrava-se com o caminho dos Paulistas.
Nota: Mapa de Santos de 1776, cujo objetivo foi a definição das fronteiras entre a Capitania de São Paulo e Minas, verdadeira faixa de gaza, dado o conflito histórico, relativamente aos limites entre os Estados, que perdurou mais de século, possibilita esclarecer, os caminhos que sempre foram percorridos, após os encontros dos caminhos; a) dos Paulistas, ou Caminho Geral do Sertão, b) Caminho Velho do Rio de Janeiro e c) Caminho da Piedade. Uma vez que, o referido, Guaipacaré, correspondia a fronteira do Sertão.  Ou seja, entre a Margem esquerda do Rio Paraíba do Sul, e a Serra da Mantiqueira, espaço colonial de Piquete-SP, denominado, Sertão dos Índios Bravos, sempre existiu uma bifurcação de caminhos. Ainda que reiteradamente insistem os historiadores, em citar, tão somente a Garganta do Embaú, via Registro da Mantiqueira, como único acesso ao Sertão. É certo que, neste contexto,  nunca citado, não obstante a relevante, cartografia histórica, existe um outro caminho, mais antigo. Estou falando do caminho,  via Alto da Serra, percorrido pelos que tinham com objetivo, a região do Vale do Sapucaí, primeira região alcançada pela coroa Portuguesa, em busca do El Dorado, dando origem, as mais diversas denominações. Ou seja, Garganta do Sapucai, desfiladeiro de Itajubá, Estrada Real do Sertão, Caminho dos Paulista, donde se deu a instalação do Registro de Itajubá em 1746. Itinerário percorrido por Martim Corrêa de Sá. Sabido que, com ele esteve o aventureiro Inglês Anthony Kanivet, que adentrou por esse mesmo caminho, por mais de uma vez. Sendo que, em uma delas a serviço do então D. Francisco de Souza, sétimo governador da Capitania do Sul. Quando então, abandonando a condição de escravo a que vinha sendo submetido, permaneceu em companhia dos tamoios nesse sertão, uma vez que tiveram que abandonar a região de Cabo Frio onde viviam, e ali permaneceram refugiados, após a conhecida confederação dos Tamoios. É certo que esses caminhos se encontravam, uma vez que, em um primeiro momento, a meta era alcançar, a serra das vertentes, contido no complexo Mantiqueira,  nascente do Rio São Francisco, onde se supunha estar contida a grande lagoa Dourada, Ademais, faz-se necessário lembrar que, após a inúmeras tentativas,  via Bahia, Espirito Santo, em especial, pelo Rio Doce, objetivando alcançar as nascentes do grande rio Para, como era chamado o São Francisco pelos índios, o caminho mais favorável,  foi via capitania do Sul. Não sendo oportuno ampliar essa reflexão,  nesse momento, deve-se ter em consideração que, a designação Caminho Geral do Sertão, não decorreu de mera conjectura  fantasiosa tem seu real sentido.   
Roteiro do Caminho Velho do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas do Ouro de 1707.
Fonte: http://stravaganzastravaganza.blogspot.com.br/2011/02/os-caminhos-antigos.html