sábado, 9 de abril de 2016

Estrada Real (Transcrição)

A Estrada Real foi sendo construída nos muitos anos de idas e vindas, das Minas ao litoral, desde o século XVII, em busca das riquezas. Caminhar pela Estrada Real é reviver os passos e os caminhos percorridos pelos escravos, pelo ouro e pela história. Constituída, ainda, pelas vias de acesso, os pontos de parada, as cidades e vilas históricas que se formaram durante o passar dos homens e do tempo. 

Inicialmente, o caminho ligava a antiga Villa Rica, hoje Ouro Preto, ao porto de Paraty, mas pela necessidade de uma via de escoamento mais segura e mais rápida ao porto do Rio de Janeiro e, também por imposição da Coroa foi aberto um “caminho novo”. A rota de Paraty passou a ser o “caminho velho”, a partir do século XVIII. Com a descoberta das pedras preciosas na região do Serro, a estrada se estendeu até o Arraial do Tejuco (atual Diamantina), deixando Ouro Preto como o centro de convergência da Estrada Real.

Assim se formou o complexo da Estrada Real, ou seja, mais de 1600 km de patrimônio, cercado de montanhas, natureza, cultura e arte. Conhecer a Estrada Real é reviver o passado e a história de Minas e do Brasil.
Assim como as riquezas que foram extraídas da terra, venha explorar as belezas da região, a pé, a cavalo, de bicicleta ou de carro em um passeio inesquecível pela Estrada Real.
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Os caminhos das Minas Gerais
Tropa na cidade de Pouso Alto, em Minas Gerais, no Brasil. Entre os séculos XVII e XIX um conjunto de vias terrestres – muitas delas simples reapropriações de antigas trilhas indígenas (peabirus) – aproximou diferentes regiões do território brasileiro.

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Os caminhos de São Paulo

Na segunda metade do século XVII, diante da crise econômica da agromanufatura açucareira suscitada na Colônia a partir da expulsão dos Holandeses (1654), tornou-se imperioso identificar novas fontes de recursos. Desse modo, uma nova leva de expedições partiu da vila de São Paulo em direção ao interior. Essas expedições ficaram conhecidas como bandeiras e os seus empreendedores como bandeirantes. Os paulistas, mestiços de Portugueses com indígenas, tinham o conhecimento, não apenas dos milenares caminhos dos nativos (peabirus), como também das suas técnicas de sobrevivência nos sertões.

Bandeiras

O chamado Caminho dos Paulistas ou Caminho Geral do Sertão, ligando a Capitania de São Paulo às Minas.
Algumas dessas bandeiras, percorrendo a chamada trilha dos Guaianases, a partir do vale do rio Paraíba do Sul, através da passagem da Garganta do Embaú, na Serra da Mantiqueira, dirigiram-se para o sertão posteriormente denominado de Minas Gerais.
Com a descoberta de ouro de aluvião, ao final desse século, intensificou-se o trânsito de pessoas, animais e gêneros entre o litoral e a região, definindo-se diversas vias, as principais das quais são referidas por Antonil (Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas. Lisboa, 1711):
Os caminhos do Rio de Janeiro
Os caminhos do Rio de Janeiro formavam uma rede de caminhos popularmente conhecida como Estrada Real. As suas principais variantes foram:
Caminho Velho
Caminho Velho, que ia de Paraty a Vila Rica (atual Ouro Preto). A partir da descoberta de ouro na região das Minas Gerais em fins do século XVII, este caminho transformou-se na rota preferida atingir-se a região das Minas Gerais, assim como para o escoamento de ouro, que era transportado por mar de Paraty para o Rio de Janeiro, de onde embarcava para Portugal.
Esta via estendia-se por mais de 1.200 quilômetros, percorridos em cerca de 95 dias de viagem.
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Fonte: https://ritapolis.wordpress.com/2011/06/04/estrada-real/
Mapa de Santos de 1776, com destaque em especial aos pontos de divisa entre as Capitania de São Paulo e Minas Gerais. Da localidade com a designação de Piedade (Lorena-SP) seguiam as Bandeiras e Expedições em direção ao Alto da Serra, corresponde ao Caminho dos Paulistas, Garganta do Sapucaí, Caminho de Fernão Dias, Trilha dos Indígenas  (Peabiru) - Espaço Colonial de Piquete-SP
Esse Mapa possibilita entender que, os caminhos para Minas à partir da Pietade (Lorena-SP) bifurcavam no espaço colonial de Piquete-SP.  Entre outras evidências está o Registro (Piquete-SP), ponto de passagem obrigatória.  Desta localidade seguia-se em direção ao Alto da Serra ou em direção a Vila de Conceição do Embaú (Cruzeiro). Respectivamente transpondo a Mantiqueira pela Garganta do Sapucaí ou pela Garganta do Embaú.
Esse Mapa faz referencia ao Caminho Velho, iniciado em Paraty que, após a transposição do Rio Paraíba, na localidade de Piedade (Lorena-SP)  segue rumo ao Alto da Serra, Garganta do Sapucaí, espaço colonial de Piquete-SP,  adentrando ao território Mineiro pela cidade de Marmelópolis-MG. Por ser oportuno, deve-se esclarecer que, a cidade hoje de Don Viçoso-MG, antes da emancipação politica,   sua área pertencia ao território de Pouso Alto.  Razão pela qual no que diz respeito aos inúmeros relatos antigos, tanto os que entravam pelo Alto da Serra ou pela Garganta do Embaú, passavam pelos Pinheiros chegava o território de  Pouso Alto.