sábado, 24 de setembro de 2016

SESMARIA - Cruzeiro, o Quilombo das Luzes (Transcrição)

ESCLARECIMENTOS
Prezado leitor, o século XVIII - anos 700 - é chamado o Século das Luzes. Isto, porque foi nesse período que o saber se rebelou contra o obscurantismo despótico da Igreja Católica, através do chamado Enciclopedismo e, depois, do Iluminismo que desaguariam politicamente na Independência dos Estados Unidos da América e na Revolução Francesa. Para o Brasil, no entanto, este é o Século da Escuridão. Sobre a História do Brasil desse período, muito pouco se sabe. Esse muito pouco, além disto, foi propositadamente distorcido por historiadores do final do século XIX até meados do século XX, quando a historiografia brasileira quis apagar alguns fatos passados e retocar outros que escolheu para compor uma iconografia que atendesse aos interesses vigentes. Entre os anos de 1720 a 1788/1792, por exemplo, há um buraco negro de 68 anos, como se nada de importante tivesse acontecido nesse período. Nesse período, no entanto, há acontecimentos importantíssimos, que estão nas bases de nossa Identidade Nacional, a exemplo de: a) foi nesse período, 1734 a 1750, que vigorou o sistema tributário da Capitação, estercando de cadáveres as Capitanias de Minas Gerais e Goiás; b) foi nesse período que os portugueses das Minas Gerais, através do genocida Gomes Freire de Andrada, destruíram a Capitania de São Paulo, 1748 a 1763; c) foi nesse período que Gomes Freire de Andrada, juntamente com espanhóis, praticou no Sul o grande genocídio contra os guaranis aldeados por jesuítas; d) foi nesse período que a Companhia de Jesus foi extinta no Brasil e no mundo, sendo os jesuítas expulsos do Brasil em 1759; e) foi nesse período que Gomes Freire e seu irmão Freire de Andrade praticaram, nas Minas Gerais, o maior genocídio da América do Sul, exterminando pretos forros, brancos pobres e paulistas dissidentes, escondendo os números do morticínio e alegando que atacara e destruíra a uns poucos quilombos; f) foi nesse período que o Brasil, que até então falava a Língua Geral, passou a falar a língua portuguesa. Sobre a Sociologia brasileira, dois fatores há a considerar. a) A principal fonte de premissas da Sociologia é a História; no entanto, nenhum dos fatos supracitados foi levando em conta pelos nossos sociólogos, mesmo porque, a maioria praticamente olvidou o Século XVIII e pouca ou nenhuma importância deu à Descoberta do Ouro e ao surgimento da Capitania das Minas Gerais na formação do patronato político e da identidade nacional; b) em regra, nossos sociólogos NÃO buscaram fontes primárias e NEM sistematizaram dados do Século XVIII, trabalhando, a maioria, apenas com a fraca e tendenciosa historiografia nacional à luz de impertinente bibliografia estrangeira, produzindo obras que, na verdade, são meras crônicas infundadas, feitas para “inglês ver”, em busca de projeção de seus próprios nomes em academias estrangeiras. Exemplos: Gilberto Freire, Sérgio Buarque de Holanda, Raymundo Faoro etc. Sobre o romance brasileiro de época, a grande maioria aborda apenas e tão somente o Século XIX. Alguns fazem estranhos e obscuros retrospectos ao final do século XVIII, retornando a meados do Século XIX, onde, realmente se desenvolve a trama principal. O Século XVIII é mesmo o Século da Escuridão, também para o romance brasileiro. Podem se contar nos dedos os romances de época do Século XVIII. Há um pouco mais de cinco, mas não chegam a dez, os romances cujos fatos ocorrem mesmo nos anos 700. Exemplos: 1) Daniela e os Invasores, de Dinah Silveira de Queiroz; 2) Chico Rei, de Agripa de Vasconcelos; 3) Xica da Silva, ultima versão de João Felício dos Santos; 4) O Retrato do Rei, de Ana de Miranda, 5) Confidências de um Inconfidente, de Marilusa Moreira de Vasoncelos; e uns poucos mais. O presente “SESMARIA”, com o subtítulo “Cruzeiro, o Quilombo das Luzes” tem como objetivo revelar ao leitor como eram, realmente, as Minas Gerais dos anos 700; denunciar a falsidade de nossa historiografia oficial; denunciar hediondos genocídios praticados pelo colonizador e pelas elites-genéticas brasileiras dali emergentes. É fruto de vinte anos de pesquisa a fontes bibliográficas, mas, principalmente, a fontes primárias nos arquivos judiciários, administrativos e eclesiásticos de Minas Gerais e São Paulo. É fruto de pesquisa geográfica em cerca de trinta cidades mineiras e, sociológica, junto à população urbana e rural dessas mesmas cidades. Por isto, se o prezado leitor vislumbrar fatos, conceitos e formas “diferentes” das que conhece, não os estranhe e nem os irreleve... pense. Use o glossário existente ao final do livro. A fundamentação HISTÓRICA do presente romance é documentada nas obras paradidáticas intituladas “Quilombo do Campo Grande – A História de Minas Roubada do Povo” e "Moema - As Origens do Povoado do Doce", do mesmo autor, publicadas em 1995 e 1987. Vide http://tjmar.sites.uol.com.br . O narrador dos fatos, neste romance, o “Escriba Maldito”, foi formatado como um cronista do próprio Século XVIII. Evidentemente seu vocabulário é arcaico, seu “estilo” é o da época. Vide, por exemplo “Cultura e Opulência do Brasil”, do Pe. Antonil; “Notícias das Minas de São Paulo e dos Sertões da Mesma Capitania”, de Pedro Taques de Almeida Paes Leme; “Geografia Histórica da Capitania de Minas Gerais”, de José Joaquim da Rocha; “Relatos Sertanistas” e “Relatos Monçoeiros” de Afonso de E. Taunay; “Instrucção para o Governo da Capitania de Minas Gerais”, de José João Teixeira Coelho; etc. Além das fontes supracitadas, o narrador buscou seus maneirismos também na leitura de milhares de textos antigos, onde se sobressaem os depoimentos de pessoas em devassas eclesiásticas, querelas, libelos e processos civis e criminais. Mas não ficou por aí, a formação do vocabulário e do estilo do “Escriba Maldito” e de seus personagens. Todos os dados obtidos nas fontes antigas foram estudados e comparados com o linguajar atual das pessoas, mormente pessoas idosas, gente da roça e pretos da região. Essa gente não fala errado, como pensam nossos “gramatiqueiros”; fala um português arcaico enriquecido por vocábulos advindos da língua geral e de línguas bantu. Esse verdadeiro tesouro cultural e sociológico não pode se perder. Em caso de dúvida, consulte o glossário existente ao final do livro. Enfim, também os fatos e a trama são totalmente verossimilhantes. Mesmo os poucos “efeitos especiais”, aparentemente criados, não o foram. Foram colhidos dos causos e crendices populares da própria região. Nenhum personagem foi “criado”; todos foram colhidos e, no máximo, compostos, aqui e ali das narrativas, processos e depoimentos encontrados nos arquivos mineiros e paulistas. A aparente prolixidade do narrador, dentro do contexto do projeto, é maneirismo necessário e fundamental. Primeiro porque o estilo predominante no Século XVIII é esse mesmo, prolixo e gostosamente redundante. Segundo, porque, na maioria dos casos, esta redundância favorece o entendimento do leitor, mesmo que haja na frase vocábulos de que não conheça o significado ou o emprego. Essa mesma aparente prolixidade ou redundância, no que concerne a descrição de roupas, comida, festas e armas utilizadas pelos personagens, foi muito mais que necessária. Caso, algum dia, esse livro venha a se transformar em imagem, espera, o autor, não ver seus personagens usando, simultaneamente, roupas dos séculos XVI, XVII e XIX, num verdadeiro “samba histórico do crioulo doido”, como sói acontecer em nossos filmes e novelas. E, muito menos, usando garruchões e espingardas de dois canos com ignição a espoleta, mesmo porque, a espoleta só seria inventada em 1804, na Europa. Por outro lado, as armas com ignição a pavio deixaram de ser usadas no final do século XVI.Também sobre isto, o autor muito pesquisou em fontes bibliográficas e primárias. Consigne-se, por fim, que a geografia de locais e vilas descritos no romance são reais, pois o autor visitou e fotografou todos os locais que descreve. Também a toponímia, além de real, é aquela que vigorava na época, cujos nomes foram extraídos de mapas e plantas urbanas das vilas descritas. Aliás, até o calendário – ano, mês e dia da semana – é real, pois o autor sempre os teve em mãos. Espera-se que, um dia, o leitor possa visitar os locais descritos no presente livro. Parece que Minas Gerais está acordando, também, para o turismo. Fonte: http://www.tjmar.adv.br/sesmaria.htm