sábado, 29 de outubro de 2016

ESTRADA REAL: A ESTRADA DO MEDO - (Transcrição)

 
Ouro por todos os cantos .... na cabeça daquela gente, sobretudo. Intrigava-se, traia-se, matava-se por motivo fútil, movidos por cega ambição
Nos idos de 1.700, o temor entre os comerciantes que transitavam pela Estrada Real era tão grande - diante das notícias de perigo e incertezas do roteiro - que muitos já deixavam prontos os seus testamentos antes de cada viagem. Cruzar a rota do ouro e dos diamantes era uma verdadeira aventura no século XVIII. Homicídios, roubos e contrabandos eram frequentes. Embora as ações dos salteadores e bandoleiros, na maioria das vezes reprimidas, nem sempre as autoridades tiveram sucesso.

 
O palco da violência não se limitou às estradas, alcançando também os sertões e as serras. E em menor escala as vilas. Uma forma usada pelos senhores para se protegerem era a companhia de negros, sempre armados e cachorros. A maior parte dos ataques acontecia à noite. Ninguém era poupado, fosse mulher, criança ou idoso.
Foram várias as tentativas de se conter a criminalidade. Em 1766, o rei de Portugal, dom José I, proibiu os sítios volantes e ranchos sem estabelecimento sólido e determinou que os indivíduos dispersos deveriam se estabelecer em povoações civis. Em 1775, houve nova carta régia, prevendo mais organização das minas e tornando mais freqüentáveis os caminhos.
Em 1781, Joaquim José da Silva Xavier - Tiradentes - assumiu o patrulhamento da serra da Mantiqueira, com a missão de estudar as terras, rios, fazer cartas geográficas dos sertões, com seus habitantes e em que se ocupavam. A partir de seus estudos, foram reconhecidos caminhos que ligavam as minas ao Rio de Janeiro e estabelecidos os locais estratégicos em que deveriam ser colocados registros, rondas e patrulhas.
As quadrilhas de Minas na época do ouro:
MANTIQUEIRA
Era a quadrilha mais badalada. Atuou durante três anos na região do Alto da Mantiqueira. Extremamente organizada, era chefiada pelo  "Montanha". A estratégia do grupo, que matava os policiais para roubar as fardas,  lembra a técnica atualmente usada pelos traficantes cariocas. Fardados, faziam falsas blitze nas estradas e roubavam todo o ouro que passava por ali. Foi desmantelada em 1786, a partir das diligências feitas por Tiradentes.
MÃO DE LUVA
Atuava no Rio de Janeiro e Minas Gerais. Recebeu este nome porque o chefe usava uma luva. Eram contrabandistas, vistos pelas autoridades como perigosos bandidos. Faziam comércio de ouro com todo tipo de gente. Matavam somente quando atacados. O grupo foi desarticulado pelas tropas do governo de Minas, a pedido do então governador Luiz da Cunha Menezes.

VIRA-SAIA
Atuava no Norte de Minas Gerais, perto da Serra do Grão Mogol. Os integrantes eram considerados altamente perversos. Dificilmente as tropas do governo conseguiam pegá-los, o que criou o mito de que teriam "pacto com o diabo". O grupo se desfez no começo do século XIX e acredita-se que migrou para a Bahia.

SETE ORELHAS
Chefiada por Januário Garcia Leal, que recebeu este nome porque portava um colar com sete orelhas humanas - arrancadas dos homens que mataram seu irmão. A quadrilha assombrou Minas Gerais no final do Século XVIII. Era desorganizada - ao contrário das demais - e usava formas perversas de matar. Seus integrantes embrenharam-se pelo sertão e nunca mais foram vistos.

Nota, Em 1781, Joaquim José da Silva Xavier esteve no Alto da Serra da Mantiqueira, local em que se deu a instalação do Registro de Itajubá e no sertão da adjacencia, espaço colonial de Piquete-SP designado ainda de Amantiqueira Quadrilheira, ou seja, vigiada.
Fonte: http://migre.me/vni9Z