quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

OS CAMINHOS DO CAFÉ

• Caminho Velho
Nos meados do século XVI, a região de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba recebeu especial atenção da metrópole no sentido de colonizar a área e garantir sua posse para a Coroa Portuguesa. Essas regiões desempenhavam papel estratégico entre o caminho do mar e a penetração para o interior. A principal atividade econômica da época era o cultivo da canade- açúcar. Foi com o surgimento das notícias sobre o ouro, em 1695, que os primeiros aventureiros subiram a trilha dos Guaianazes com destino ao sertão. No final do século XVII, foi criado o caminho para as Minas Gerais, a que se tinha acesso pela serra do Quebra Cangalha, pelo caminho da Freguesia do Falcão (atual Cunha), atingindo-se o rio Paraíba do Sul. Nesse ponto, dava-se o encontro com a rota dos bandeirantes paulistas, na altura de Guaratinguetá, e com a Garganta do Embaú. Vencida a serra, o caminho seguia até Baependy, Carrancas, São João Del Rei e São José Del Rei (hoje, Tiradentes), até alcançar os arraiais de Antônio Dias e de Vila Rica (atual Ouro Preto). Parte desse caminho ainda existe, como, por exemplo, o trecho que liga Parati a Cunha e Guaratinguetá, a atual RJ-165/SP-171.
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Caminhos do Café - antigas e novas estradas No início do século XIX, com o esgotamento das minas de ouro nas Gerais, os caminhos abertos para o carregamento desse metal permitiram que uma nova riqueza, o café, povoasse as terras praticamente virgens do Vale do Paraíba do Sul. Com o apoio da coroa, novas estradas logo surgiram e as antigas foram melhoradas ou ampliadas com o objetivo de facilitar o escoamento da importante carga, que inicialmente era transportada em lombo de mulas. As primeiras a serem construídas, no século XIX, ligando os portos do litoral ao Vale do Paraíba do Sul, derivam das variantes e ramais dos antigos “Caminhos Velho e Novo”. No “Caminho Velho”, o primitivo porto de Paraty foi substituído pelos de Jurumirim, Ariró, Itanema, Frade, Mambucaba, Bracuhy e Sítio Forte, todos na baía de Angra dos Reis. Esses é que recebiam quase toda a produção do sul e sudoeste fluminense, do chamado norte paulista, da zona meridional de Minas e ainda de Goiás. Até 1864, a antiga povoação de Santos Reis Magos, atual cidade de Angra dos Reis, foi, depois do Rio de Janeiro, o porto mais movimentado do Sul do Brasil. Havia também os portos de Itaguay e Mangaratiba. Era também através desses portos que se fazia o desembarque de africanos no litoral sul do Rio de Janeiro. Depois da Lei de 1850, que proibiu o trafico de escravos, um importante acontecimento, que ficou conhecido na época como “Caso de Bracuhy”, verificou-se em 1852, envolvendo os nomes de ricos fazendeiros com a atividade recém-proibida. Aí encontram-se os nomes de Manoel de Aguiar Vallim, o maior produtor de café na região de Bananal, e do Comendador Joaquim José de Souza Breves, o chamado Rei do Café. Todos os envolvidos foram indiciados, mas... inocentados. É nesses portos que se iniciam as novas estradas. Podem ser assim citadas a de Mambucaba, que margeava o rio do mesmo nome, seguindo até a Serra Geral e do Frade, onde bifurcava-se para Silveiras e para São José do Barreiro e Rezende; a estrada de São João Marcos, que ligava o porto de Mangaratiba à cidade do mesmo nome e subia em direção de Rio Claro até atingir Barra Mansa, onde dividia-se para Rezende e Quatis; e a do Caramujo, que ligava os portos de Angra dos Reis e Jurumirim a Rio Claro. É por essas estradas que, até a chegada dos trilhos da Estrada de Ferro D. Pedro II, irá ser escoada toda a produção de café de Rezende, Barra Mansa, São João Marcos, Bananal e São José do Barreiro, região pioneira na produção dessa lavoura no Vale.11 Dos portos da Baixada (Iguaçu e Estrela) que serviam ao antigo “Caminho Novo” e variantes, também surgem novas estradas: “Comércio” e “Polícia”.

GUIA DA UNESCO - Una guía para la administración de sitios e itinerarios de memoria.

Ficha 22: Ruta de la libertad (A Rota da Liberdade), São Paulo, Brasil (A Rota da Liberdade), São Paulo, Brasil ■ ANTECEDENTES ■ ANTECED...