As festas religiosas fazem parte da cultura popular
brasileira que ao serem preservadas se constituem, quase sempre, em
tradição cultural que faz parte da memória dos grupos sociais que a
realizam. Essas festas nos levam a refletir sobre a realidade social e
sobre a história de uma sociedade. O processo de continuidade da
história desses grupos sociais é o centro da discussão dos autores e
estudiosos que pesquisam o assunto.
O interesse desses grupos sociais pela sua história é
que faz manter acesa, o anseio de dar continuidade às manifestações que
afloram seus traços e costumes. Essas festas religiosas se constituem
em expressões do imaginário de cada sociedade e manifestam sua
particularidade ligada à representação de ação simbólica, seja na forma
individual ou coletiva. As práticas através das quais os agentes
manifestam seus valores inconscientes, são representados por uma função
simbólica desses rituais. O catolicismo popular que se enraizou no
Brasil está marcado por sua origem européia, mas encontrou nas tradições
culturais dos grupos africanos que aqui existiam, elementos que deram
novas configurações. O encontro da cultura africana com a cultura
indígena produziu um modo partilhado de a cultura popular pensar a
relação entre o sagrado e o profano. Quando nos referimos ao catolicismo
estamos na verdade nos remetendo a um intrincado sistema de práticas,
significados, rituais e personagens que transitam por este universo
religioso e que ultrapassam as fronteiras institucionais da igreja e
ortodoxia católica.
A atuação da igreja católica através das missões foi
fundamental no que se refere ao fornecimento dos elementos de controle
ideológicos, legitimando o processo de civilização através das ações
catequéticas, disciplinarização, controle social e adequação do nativo
ao mercado de trabalho. As missões tinham o objetivo de formar os índios
para a vida do trabalho.
A festa de São Benedito em Almeirim-Pá. A festa de
São Benedito segue o modelo de outras festas religiosas existentes no
Brasil, como as festas de Nossa Senhora de Nazaré, de São Pedro, de
Santo Antônio, do Menino Deus, de São Sebastião, de São Raimundo, de São
Francisco, entre outras. Tem como natureza do seu ritual o espírito
invocativo que propicia a esperança no milagre que, quando alcançado, se
institui num ritual de agradecimentos, através dos pagamentos das
promessas dos fiéis. Esses pagamentos ocorrem na forma de objetos como:
mantos, resplendores, coroas, jóias, enfeites, materiais destinados à
igreja, imagem do santo, oferendas etc. A festa de São Benedito de
Almeirim evoluiu com o tempo. Ao acompanharmos a festa daquele santo,
logo poderemos observar que algumas manifestações mais antigas não
existem mais como é o caso da corrida no saco, ovo na colher, pau de
sebo, etc. As mudanças ocorridas atingiram, inclusive, a parte
religiosa. Essas considerações, porém, não se pode dizer do Gambá, que
nos dias atuais continua sendo tocado, cantado e dançado como há cem
anos atrás. Seus instrumentos continuam sendo fabricados pelos próprios
músicos da família. Podemos com isso afirmar que o Gambá é: "uma
manifestação do passado no presente, como no passado".
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A Meia lua A Meia Lua ou procissão Fluvial consiste num passeio de
barcos, realizado em frente a cidade, no Rio Amazonas, onde o santo é
levado em um barco, "o barco do santo" que é seguido por dezenas de
outros barcos de menor porte. Para muitos fiéis este é o momento mais
importante da festa do santo. É nessa procissão fluvial que os
navegantes e moradores ribeirinhos, que possuem pequenas embarcações,
mostram suas devoções de carinhos e respeito pelo santo. Para outros
fiéis que não participam da procissão fluvial e apenas observam aqueles
que não medem esforços para enfeitarem seus barcos para o momento da
"Meia lua".
Fonte: http://migre.me/7nKIn
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