Comboio de escravos. (fonte: http://migre.me/aCkdH)

(Transcrição) - INVENTÁRIOS POST-MORTEM NA (RE)CONSTRUÇÃO DAS MINAS GERAIS NA ÉPOCA COLONIAL Josimar Faria Duarte[*1]
(Transcrição) - INVENTÁRIOS POST-MORTEM NA (RE)CONSTRUÇÃO DAS MINAS GERAIS NA ÉPOCA COLONIAL Josimar Faria Duarte[*1]
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As Minas Gerais na época Colonial
No século XVII, as expedições das bandeiras em busca de índios que servissem ao trabalho involuntário e de metais preciosos percorreram extensas áreas, encontrando em 1695, na região de Caeté e Sabará, as primeiras minas de ouro. Estes achados auspiciosos, que tradicionalmente são atribuídos aos exploradores paulistas Borba Gato e seu genro Fernão Dias Pães Leme[*7] , motivaram um grande fluxo populacional “durante os primeiros sessenta anos do século XVIII, chegando de Portugal e das ilhas do Atlântico cerca de 600 mil pessoas”[*8] . Um significativo processo migratório também ocorreu dentro da Colônia: partiram Das cidades, vilas, recôncavos e sertões do Brasil, vão brancos, pardos, pretos e muitos índios de que os paulistas se servem. A mistura é de toda condição de pessoas; homens e mulheres, moços e velhos, pobres e ricos; nobres e plebeus; clérigos seculares e religiosos de diversos institutos, muitos dos quais não têm, no Brasil, convento nem casa.[*9]
A iniciativa da mineração movimentou o trânsito das pessoas, de aventureiros ávidos de enriquecimento fácil, que deixaram as mais diversas localidades e vieram para as Minas. Aqui eles desbravaram os territórios ocupados por indígenas, povoando as localidades, as margens de rios e encostas, inicialmente em moradas improvisadas de pau-a-pique, cobertas de palhas, palmeiras ou sapé [*10].
No dia 16 de julho de 1696, o coronel Salvador Fernandes Furtado e Miguel Garcia encontraram em um ribeirão próximo ao Tripuí (atual Ouro Preto) uma riquíssima fonte de granito cor de aço. Este ribeirão aurífero foi denominado “Ribeirão do Carmo”, pois era festa da “Virgem”, e a partir desse momento foi criado o primeiro arraial das Minas [*11].
As notícias da descoberta do ribeirão aurífero logo se espalharam e em pouco tempo a região já contava com uma população numerosa. No entanto, a fome começou a assolar essa população. A falta de alimentos e a miséria levaram os aventureiros a se dispersarem, fazendo com que o primeiro arraial fosse abandonado entre 1697 e 1698 [*12]. Somente Francisco Fernandes e Manuel da Cunha permaneceram na região, mas as notícias do sucesso da exploração empreendidas por Antônio Pereira atraíram os antigos moradores.
Os antigos moradores recompuseram suas casas abandonadas no primitivo assento, e os recém-chegados derramara-se pela margem do rio, invadindo sem respeito, nem consideração as terras por Antônio Pereira compradas a Manuel Cunha. Embora ofendido Antonio Pereira fez cara de alegre por não pode lutar contra a onda, e a muitos concedeu trabalharem nas minas e morarem nas terras.[*13]
Rapidamente este pequeno aglomerado que se formou em torno do ribeirão se espalhou pelas encostas de morros, formando uma população enorme. Além dos migrantes brancos vindos do Reino, da Bahia, de Pernambuco, do Rio de Janeiro, de São Paulo e de outras localidades, o número de pessoas negras era grande, principalmente de escravos que acompanhavam os seus senhores, já que “[...] nem todos os invasores se entregaram diretamente ao trabalho das minas. Havia, além dos mercadores fixos ou ambulantes, uma grande quantidade de artífices, pedreiros, ferreiros, carpinteiros, alfaiates, sapateiros e outros que se estabeleceram no povoado” [*14].
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