terça-feira, 15 de março de 2016

DESVENDANDO MAPAS E CAMINHOS.

Entre as inúmeras denominações, relativamente a importância dos rios, utilizados pelos que seguiam em demanda do sertão da América Portuguesa,  temos como exemplo a citação "caminhos que andam". Neste sentido resta incontrastável, serem os rios, elementos geográficos indispensáveis, ao sucesso de qualquer expedição. Desta feita, no contexto da cronologia das expedições, conhecendo a geografia dos lugares, posso afirmar que houve expedições que em busca de objetivos distintos, percorreram o mesmo caminho. Senão vejamos: a) A expedição de João Ramalho, de 1562, atuando contra os índios do Vale do Paraíba, momento que coincide com a confederação dos Tamoios, deu causa a que, essa nação indígena, deixando Cabo Frio latitude 20" Sul, refugiasse no sertão Mineiro, em especial entre a região do Alto Sapucai, até as nascente do rio São Francisco como costa da historiografia. Consequentemente, o caminho percorrido, era via, Garganta do Sapucai, Alto da Serra da Mantiqueira, espaço colonial de Piquete, adentrando ao território Mineiro pela atual cidade de Marmelópolis-MG; b) Na mesma direção, ao afirmar o texto* que, entre 1594-1999, "Afonso Sardinha e João do Prado investem contra as tribos do Jeticaí (atualmente conhecido como rio Grande que, na junção com o rio Parnaíba, forma o rio Paraná)" Estamos dizendo que, o caminho percorrida,  inclui, o rio Paraíba do Sul e a  Serra de Jaguamimbaba, via Alto da Serra.  Alto da serra este que, em conformidade com o mapa, contem o espaço colonial de Piquete, do lado paulista e Itajubá do lado Mineiro. Onde, o mesmo Afonso Sardinha,  encontrou a primeira, porém nem tanto significativa, quantidade de ouro de lavagem, na capitania do Sul, cujo  governador era D. Francisco de Souza, no ano de 1597. Fato este constante de seu testamento. A assertiva acima encontra fundamento na contextualização das referências geográficas, contidas no texto que trata da cronologia das Bandeira* . Quer se dizer que, o Rio Sapucai, após receber as águas do rio Verde, entre outros, formam um especial caminho, que leva ao rio Grande, tributário do Paranaíba, formador do Paraná, sendo esse o verdadeiro caminho, para os mares do sul, ou seja, a região do Prata, palco de grandes conflitos.     .
c) Quanto a  Martim Correia de Sá e sua entrada em 1597, partindo do Rio de Janeiro, fato documentado e indiscutível, por ser uma das primeira vez que se fez referência a localidade de  Paraty. Mas uma vez, traz importante referência na composição do espaço geográfico percorrido, pelas três expedições, sendo que esta, parte do Rio de Janeiro,  chega no rio Sapucaí ou Verde. O fechamento para compreensão da tese exposta, está no fato de haver trazido consigo o então Martim Correia de Sá, o aventureiro inglês seu escravo, Anthony Kanivet, que entre tantos relatos temos que; permaneceu um grande período com os Tamoios fugidos da confederação, os quais permaneceram no Sertão Mineiro; Sendo estes os índios encontrados após transpor o rio Paraíba. Cita ainda que os nativos que viviam na margem esquerda do Paraíba, iam pescar no Rio Pará, que hoje sabemos que se trata da denominação dada ao Rio São Francisco pelos indigenas. Em fim Anthony Kanivet, percorrendo os mesmos caminhos que Afonso Sardinha, João Ramalho e outros,  seguiu em direção ao Mar do Sul,  após alcançar o Rio Uruguai, onde foi novamente capiturado na bacia do Prata. Ademais, partido de São Paulo, em busca do Sabaraçu, foi também esse o caminho percorrido por Fernão Dias. Restando evidente que as Roças de Bento Rodrigues Caldeira seu filho, instalada na região do Guaipacaré, hoje Lorena-SP, era parte do plano de logística objetivando o abastecimento das expedições. Oportunamente o que parecer tratar-se de uma grande petulância de minha parte, encontra respaldo nos relatos de grandes mestres. E, particularmente, devo informar que por dever de oficio, venho circulado por Minas Gerais, o que faz quase dezoito anos. Assim sendo, 1999 passando por Cabeceira de Goias-GO (Caminho de Goías), fui parar  em Arinos (Caminho Geral do Sertão Bahiano), na beira o rio urucuia, cujo ônibus seguia, com destino Chapada Gaucha-MG e Januária-MG, na margem do São Francisco. Sertão de Guimarães Rosa,  onde por três meses ouvi muitas histórias. Em março de 1999, o destino me levou a  conhecer Capinópolis-MG, próximo ao rio Parnaíba também de muitas histórias. Em junho de 1999, transferi residência para Caldas-MG. Estando no ano 2000 em Cristina-MG, foi possivel conhecer  a constituição geográfica da região. Ou seja, caminho em demanda o Rio Sapucai, após transposição do Alto da Serra, segue em demanda de Marmelópolis-MG, Virgínea-MG, Don Visoço-MG alcançando a cidade de Caxambu. Sendo oportuno lembrar que se tratava de importante caminho de ligação entre Guaratinguetá e São João Del Rei, até que fosse criada a Comarca do Rio das Mortes. Esclarecendo, tanto o caminho de entrada pelo Registro Itajubá-MG, no Alto da Serra da Mantiqueira, Garganta do Sapucai, espaço colonial de Piquete-SP, quando o caminho de entrada pela Registro Mantiqueira, (Garganta do Embaú), passa pelo Território de Pouso Alto-MG, uma vez que à época, Don Viçoso-MG era Distrito da referida localidade.  Não menos importante, faz quinze anos que estou no Vale do Camanducaia, ou seja, nove anos em Cambui-MG e seis anos na Ponte Nova do Jaguari (Extrema-MG),  caminho de São João de Atibaia. Restanto dizer que sou de Piquete-SP e, a primeira paisagem vislumbrada por mim quando nasci, foi a serra da Mantiqueira do quintal de minha casa.
*Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Entradas_e_bandeiras