sábado, 23 de abril de 2016

Caminho Velho: (Transcrição)

 Resumo:
A interiorização da colonização portuguesa no Brasil apenas ocorreu no final século  XVII, quando ricos reservatórios de ouro foram descobertos nas futuras Minas Gerais. A penetração se iniciou pelo eixo do Caminho Velho, que ligava o porto de Paraty aos arredores  dos Pico do Itacolomi. O movimento de expansão colonial luso-brasileiro do século XVIII representou uma grande ruptura sócio-ambiental na região em função da introdução nesses ‘sertões’ de novos costumes, imaginários, técnicas e bioorganismos. Ainda que a limitação das técnicas tenha minimizado a escala de impactos, as raízes para a destruição massiva dos  ecossistemas nativos da região foram plantadas nesse período, especialmente porque as lógicas locais passaram a ser suplantadas pela lógica metropolitana de acumulação de riquezas materiai
s. 
Caminho Velho

Em menos de trinta dias, marchando de Sol a Sol, podem chegar os que partem da  Cidade do Rio de Janeiro ás Minas Geraes [...] da Cidade do Rio de Janeiro foraõ a Paratijs. De Paratijs a Taubatê. De Taubatê a Pindamonhangâba. De Pindamonhangâba  a Guaratingaetâ. De Guaratingaetâ ás Roças de Garcia Rodrigues. Destas Roças ao  Ribeiraõ. E do Ribeiraõ com oitos dias mais de Sol a Sol chegaraõ ao Rio das Velhas. (ANTONIL, 1711, p. 163)
Uma das primeiras rotas do ouro no Brasil, o Caminho Velho incluía, na verdade,  não apenas o trecho terrestre descrito acima, mas também uma parte percorrida por vias marítimas, de Parati a Sepetiba, de onde, novamente por terra, os carregadores seguiam
até a cidade do Rio de Janeiro através das roças da fazenda Santa Cruz. Nos atentamos, contudo, à região localizada nos entornos da via terrestre entre as minas e o porto de Parati. Coberto originalmente por densa vegetação característica das florestas tropicais úmidas, o trecho da costa até a Serra da Mantiqueira era apenas um prenúncio dos árduos obstáculos que teriam que ser superados ao longo de centenas de quilômetros e dezenas de dias de viagem.  Nos arredores da vila de São Francisco das Chagas de Taubaté encontrava-se o Caminho  Velho com a trilha oriunda de São Paulo de Piratininga. Ao longo das primeiras décadas do século
XVII, esse entroncamento foi desviado para Pindamonhangaba e posteriormente para Guaratinguetá,  diminuindo a distância entre a Freguesia do Falcão (que originou Cunha) e o Rio Paraíba (SANTOS,  2001). Após cruzar a Garganta do Embaú – um dos vales mais baixos da Serra da Mantiqueira, os relatos  encontrados passam a ser vagos e contraditórios: Antonil (1711) cita as roças de Garcia Rodrigues  tanto no Caminho Novo quanto no Velho; não se pode afirmar se é uma questão de homonímia  ou se as roças de Rodrigues realmente tinham essa vasta extensão. O pai de Garcia Rodrigues Paes,  Fernão Dias, de fato, foi um dos pioneiros desbravadores dos sertões dos Cataguás; assim, as mercês  concedidas pela Coroa Portuguesa por papel tão crucial no desenvolvimento da exploração aurífera  de Minas Gerais podem, porventura, ter beneficiado seu herdeiro com tão vasta propriedade.
O frágil mapeamento do interior brasileiro, que já vinha sendo explorado desde o século XVI,  apenas se aprimorou ao longo do processo de exploração aurífera do século XVIII. Paralelamente  ao surgimento e crescimento de arraiais e povoados, muitos dos acidentes geográficos nos arredores  do Caminho Velho foram identificados e nomeados, facilitando o efetivo reconhecimento dos
lugares citados.
A evolução da produção cartográfica sobre as Minas ao longo do século XVIII  demonstra uma drástica mudança de perspectiva: enquanto as imagens dos séculos anteriores  mostram uma massa homogênea de terra representando o interior da América Portuguesa; os mapas  do século XVIII são repletos de toponímia, especialmente aqueles que retratavam as Minas Gerais.
A descoberta de ouro no sertão dos Cataguás em fins do século XVII ocorreu como  resultado do esforço contínuo de inúmeras gerações, que desde o século anterior vinham  explorando as Américas em busca de metais preciosos (ZEMELLA, 1990). Diversas lendas  se difundiam pelas áreas colonizadas, assim como pelas metrópoles, sobre o potencial  aurífero do ‘novo’ continente, impetrando diversos movimentos de interiorização: a busca  de Sabarabuçu, montanha resplandecente que os europeus imaginavam revestida de ouro  ou prata (BOXER, 2000), promoveu, em certa instância, a colonização do sertão mineiro.
Alguns pesquisadores sustentam, no entanto, que paulistas já haviam encontrado jazidas  de ouro anteriormente nos sertões interiores, ocultando das autoridades coloniais tais descobertas,
para que não perdessem o domínio da região-cerne de sua economia (COSTA, 2005; HOLANDA,  1996). Afinal, com a notificação da Coroa sobre tais tesouros, de fato, o controle da região deixou  as mãos bandeirantes passando a ser efetivamente uma função oficial da metrópole. Assim,  embora pela infinidade de descaminhos, continuassem a subsistir atividades proibidas pela Coroa,  a liberdade outrora desfrutada pelos paulistas e outros grupos pioneiros é severamente restringida com o avanço do empreendimento colonial. Diversas espécies exóticas foram  todos os continentes do planeta, com exceção da Antártica, essa troca teria sido, na visão de muitos pensadores ocidentais, um dos maiores e mais importantes eventos da história da  humanidade, contribuindo para a diluição de diferenças culturais e ambientais entre os lugares.  Outras idéias nas quais nos apoiamos partem do livro de Warren Dean sobre a Mata Atlântica (1996):  segundo o autor, a região das minas teria sofrido um esvaziamento populacional ao longo dos  primeiros séculos de colonização portuguesa em função dos patógenos trazidos nos navios europeus;  assim a floresta estaria sofrendo na época das primeiras descobertas oficiais de ouro um processo de  sucessão ecológica natural. A colonização européia do século XVIII, contudo, altera esse processo natural e institui uma nova dinâmica ambiental com a introdução de espécies de seres vivos do ‘Velho  Mundo’ que operam numa tendência à homogeneização cultural e ambiental (CROSBY, 2011).
Fonte:A Colonização Ecológica do caminho do Ouro: mineração e devastação no século XVIII.
http://migre.me/tAwva
Parafraseando: "Os mapas  do século XVIII são repletos de toponímia, especialmente aqueles que retratavam as Minas Gerais". Nesta direção em conformidade com a cartografia antiga, torna-se oportuno citar, por esta contido no Mapa de 1776 de Santos,  o trecho da costa até a Serra da Mantiqueira, em especial o Alto da Serra, espaço colonial de Piquete-SP, Garganta do Sapucai, desfiladeiro de Itajubá, Caminho Geral do Sertão, Registro de Itajubá.
Parafraseando: Ainda no trecho da costa até a Serra da Mantiqueira, à partir do Registro (Piquete-SP) a travessia da Serra dava-se também, em outro ponto, (Registro Mantiqueira),  passando pela Vila de Conceição do Embaú (Cruzeiro-SP) em demanda da Garganta de mesmo nome, Passa Quatro, Pinheiros etc.
Parafraseando: No trecho da costa até a Serra da Mantiqueira, temos o caminho iniciado em Paraty-RJ, constando como ponto de acesso da  Serra Acima,  a cidade de Marmelópolis-MG. Esse caminho é  via Alto da Serra, espaço colonial de Piquete. A partir desse ponto entra-se pela região dos Pinheiros. Faz se necessário considerar que, em tempos remotos, antes da emancipação da localidade Don Viçoso-MG, o caminho dos Pinheiros estava contido em todo planalto ocupado pela atual cidade de Marmelópolis-MG, Delfim Moreira-MG, Passa Quatro-MG e  Pouso Alto.