domingo, 24 de abril de 2016

A riqueza que ficou pelo caminho - HENRIQUE OSTRONOFF (Transcrição)

As estradas reais, antigos acessos a centros produtores de ouro, tornam-se roteiros turísticos.
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Tributo e contrabando 
Para cobrar o quinto sobre o ouro extraído que era exigido pela Fazenda Real, foram criadas as casas de fundição, onde o inerador deveria declarar oficialmente a quantidade do metal, pagar o tributo e legalizar sua posse. O primeiro desses órgãos foi instalado já em 1695, em Taubaté, ponto de passagem da serra da Mantiqueira, que servia de porta de entrada ao chamado Caminho Geral do Sertão, o qual, passando pelo vale do Paraíba, ligava a vila de São Paulo à região das minas. O contrabando, no entanto, era comum, praticado com mais freqüência no Caminho da Bahia. Ao longo dessa via, principalmente nas proximidades das margens do rio São Francisco, estavam estabelecidas as fazendas onde os comerciantes compravam gado, pago com ouro, para abastecer a região das minas. Como o controle do trânsito dessa estrada se mostrava difícil, pois era formada por uma teia de trilhas, a Coroa tentou proibir, sem resultado, a circulação por ela. Para compensar as perdas geradas pelo contrabando, facilitado pelo uso de ouro em pó como moeda de troca, em 1710 o governo português instituiu impostos sobre a circulação de mercadorias e escravos, os chamados Direitos de Entrada. Cargas de todo tipo, como alimentos e ferramentas, gado e até animais usados no transporte, obviamente quase impossíveis de esconder, eram tributados. Os registros – postos de fiscalização e cobrança de encargos – passaram a ser instalados nos três caminhos que levavam às minas, em pontos de trânsito forçoso, como locais de travessia de rios e passagens por onde era feita a transposição de serras. De início, a administração dessas barreiras de controle ficou nas mãos das câmaras das vilas, mas, em 1718, após licitação promovida pelo governo da capitania de São Paulo e Minas, elas passaram a ser geridas pela iniciativa privada, a cargo dos chamados contratadores. O trânsito de pessoas e mercadorias se tornou cada vez mais intenso pelos caminhos. O historiador Sérgio Buarque de Holanda cita na obra História Geral da Civilização Brasileira – A Época Colonial as estimativas que se faziam da população atraída pela exploração do ouro nas primeiras décadas do século 18. Um viajante anônimo que esteve no Rio de Janeiro em 1703 fala em cerca de 80 mil pessoas ativas na  mineração. Segundo Holanda, o jesuíta italiano Giovanni Antonio Andreoni, mais conhecido como Antonil, em seu livro Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas, publicado em 1711, menciona 30 mil, "ocupados uns em catar, outros em mandar catar nos ribeiros de ouro, outros em negociar, vendendo e comprando o que se há de mister não só para a vida mas para o regalo, em maior quantidade do que nos portos de mar". A Coroa portuguesa proibia na região atividades econômicas que pudessem causar o desvio da mão-de-obra dedicada à extração aurífera. Dessa forma, as mercadorias necessárias à sobrevivência dos arraiais surgidos em torno das lavras precisavam necessariamente ser adquiridas em outras localidades e transportadas pelas estradas reais.
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Registro de Itajubá - O referido registro foi instalado por volta de 1746, no Alto da Serra, espaço colonial de Piquete-SP , Caminho Geral do Sertão, Estrada Real do Sertão, Caminho de Fernão Dias.
Registro (Piquete-SP) - Localizado no Núcleo Embrião de Piquete, também via de passagem para os que seguiam em busca do Registro Mantiqueira, passando pela Vila de Conceição do Embaú (Cruzeiro-SP)
Este mapa de 1776, de Santos-SP, possibilita a identificação da localidade Alto da Serra, onde se deu a instalação do Registro de Itajuba, acima citado,  localidade denominada também de desfiladeiro  de Itajubá, Bela Vista, Meia Lua.
A cidade de Marmelópolis-MG, uma das portas de entrada para o Sertão das Gerais, era alcançada via Alto da Serra, espaço Colonial de Piquete-SP.
 Roteiro do Caminho Velho do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas do Ouro de 1707.
 Registro (Piquete-SP) - Localizado no Núcleo Embrião de Piquete, também via de passagem para os que seguiam em busca do Registro Mantiqueira, passando pela Vila de Conceição do Embaú (Cruzeiro-SP)
Fonte:Problemas Brasileiros, Postado em http://migre.me/tBlen