sexta-feira, 15 de abril de 2016

COMARCA DO RIO DAS MORTES E OS CAMINHOS DE INTEGRAÇÃO DAS FRONTEIRAS - SÃO PAULO - MINAS GERAIS

Acervos documentais da Comarca do Rio das Mortes - (Transcrição)
1) "A Comarca do Rio das Mortes foi uma das três primeiras existentes na capitania das Minas Gerais , sendo instituída em 1714 e tendo como sede a Vila de São João del Rei ."
2) "Estendia-se pelo centro - sul, a sudoeste da capitania compreendendo os termos de São José del Rei, Jacuí, Baependi, Campanha da Princesa, Barbacena, Queluz, Nossa Senhora de Oliveira , São José do Rio das Mortes e Tamanduá."
3) "No início do século XIX já se configurava como a mais extensa em área habitada e a mais populosa da capitania."
 4) "No início do século XIX a comarca do Rio das Mortes já se configurava como a mais extensa em área habitada e a mais populosa da então capitania de Minas Gerais. Estimativas para 1808 indicam uma população de 154.869 habitantes em um total de 433.000 para toda a capitania." 
5) "Os escravos na comarca somavam algo em torno de 38.000."
6) "A comarca tinha como limites, a leste a comarca de Vila Rica; ao norte as de Sabará e Paracatu; a oeste as províncias de Goiás e São Paulo; ao sul esta última e a do Rio de Janeiro."
7) "No último quartel do século XVIII a comarca já era então responsável pelo abastecimento de gêneros da capitania."
8) "A crescente importância das atividades agrícolas e pastoris desenvolvidas na região e voltadas para o abastecimento interno foi responsável pelo progressivo deslocamento da população para a região sul, a partir da segunda metade do século XVIII, em função das mudanças que se processavam na dinâmica da economia, cujo eixo passava a se transferir das atividades de mineração para a produção agrícola."
9) "A queda nos resultados dos investimentos auríferos levava cada vez mais à procura das atividades agrícolas, na esperança de maiores lucros. Enquanto a comarca de Vila Rica via sua população declinar, a comarca do Rio das Mortes viu sua população triplicar ao longo do período, passando de 82.781 habitantes em 1776, para 154.869 em 1808 e 213.617 em 1821."
10) "Além da migração interna, a comarca, por sua localização e possibilidades de negócios, passava a atrair os emigrantes europeus, sobretudo portugueses, em busca das melhores oportunidades de fortuna."
11) "A precoce especialização agrícola da região transformou-a num celeiro estratégico e fornecedor de produtos ao mercado litorâneo."
 12) "Com a transferência da Corte para o Brasil, o eixo de escoamento da produção regional se deslocou do abastecimento interno para a praça do Rio de Janeiro."
13) "A posição geográfica privilegiada, sobretudo no triângulo formado pelas vilas de São João, Barbacena e Campanha - principais entrepostos comerciais - fazia com que a região fosse o corredor pelo qual circulavam todas as mercadorias."
14) "Desse modo, as vilas se transformaram em centros de redistribuição dos produtos importados trazidos do Rio de Janeiro, amplificando suas atividades comerciais."
15) "A posição estratégica da região foi reforçada pela política joanina de integração da região centro-sul que visava, em seus objetivos econômicos, garantir a produção e o abastecimento da Corte."


 
 NOTA: Antecipando a analise de alguns aspectos desse mapa de 1801, faz-se necessário considerar que, antes da criação da Capitania de São Paulo e Minas, com a posterior fundação da Comarca de Rio das Mortes em 1714, a região abrangida pela referida Comarca, era termo da Vila de Guaratinguetá-SP, localizada às margem esquerda do Rio Paraíba do Sul. Cuja importância e relevância neste  contexto Histórico, manteve-se por mais de 300 anos. Era o  principal entreposto comercial e corredor de circulação de produtos importados do Rio de Janeiro e São Paulo. Sendo certa ainda que se tratava do ponto de convergência dos caminhos de São Paulo e do Rio de Janeiro, este ultimo, pela via de Paraty-RJ. Bem como tinha inicio na região, ou seja, no Guaipacaré, o caminho novo da Piedade, em direção a Fazenda Santa Cruz, construido à partir de 1725, objetivando a escoamento do ouro trazido das recentes minas descoberta em Cuiba-MT, para o Rio de Janeiro, evitando-se assim, a via marítima, em decorrência dos riscos advindo da ação da pirataria. Razão pela qual, tem se justificada a criação do Registro de Itajubá, no Alto da Serra da Mantiqueira, espaço colonial de Piquete-SP,  caminho de ligação entre Guaratinguetá-SP e a cidade de São João del Rei. Restando comprovado em livros do registros da época, o movimento entre outros, de passagem de escravos, cachaça, sal, muares e outros itens de primeiras necessidades. Uma das mais importantes rota de  tropeiros e carreiros.
Fonte: Acervos documentais da Comarca do Rio das Mortes - http://www.documenta.ufsj.edu.br/modules/brtchannel/index.php?pagenum=2