segunda-feira, 2 de maio de 2016

Região das Minas Gerais com uma parte do caminho de São Paulo e do Rio de Janeiro para as minas e dos afluentes terminais do São Francisco (Transcrição)

 
O mapa sertanista com o título atribuído como “[Região das Minas Gerais com uma parte do caminho de São Paulo e do Rio de Janeiro para as minas e dos afluentes terminais do São Francisco]”, de autor anônimo, foi manuscrito no século XVIII.
O mapa mostra as minas novas de “Angiba”, os rios Pacai, Verde, Capivari e Grande, as minas de Guituruna, a serra da Mantiqueira, Pinho, Luís Ferreira, Antônio Moraes da Cruz, Alcaide Mor, Juiz de Fora, os rios Paraibuna, Paraíba, das Mortes e o Caniday, as minas de Camapuão, o rio Brumado, “o caminho velho das minas”, o rio Paraibepa, os Campos de Minas Gerais, Ribeirão do Inferno, Congonhas, Ouro Preto, a Vila de São Sebastião, Furquin, os rios Guaratinguetá e Xipotos, o “gentio coroado ainda bravo”, o rio Santa Bárbara, Coralino, Sabará, Caeté, “recolhimento das beatas das Motaixibas”, o rio das Velhas, São João Del Rey, o “caminho dos currais”, os rio São João e Pitanguy, e por fim, o “caminho pelo sertão”. Ao longo do mapa traz as distâncias até as minas.
No verso do mapa consta a descrição dos rios Grande, Agoapei, Curimatai, Capivari, Jundiaí e Jequeri, a cidade de São Paulo, os rios Boi, Cutia e Apiteravi, Sorocaba e o rio Paranapanema.
Além disso, possui duas folhas em anexo indicando as distâncias entre as localidades em léguas e em dias.
Este mapa é citado por Jaime Cortesão na História do Brasil nos Velhos Mapas, na página 227.
No que tange à história do Brasil é importante ressaltar que os bandeirantes se beneficiaram da extensa rede hidrográfica brasileira que a partir do Tietê, Pinheiros, Cotia e Piracicaba alcançavam a bacia do Prata, o Parnaíba e o São Francisco. Cabe destacar que o transporte não era apenas fluvial, como também, aproveitavam as margens dos rios, as trilhas indígenas e os rastros deixados por animais. Por tudo isso, faz-se necessário traçar o perfil da chamada cartografia bandeirante e sua importância na História Colonial brasileira. De acordo com Jaime Cortesão, as cartas sertanistas e bandeirantes evidenciaram que ao lado da renovação científica da escola cartográfica portuguesa – motivada pela expansão territorial e a formação da nova economia mineira, a qual estava representada de início pelos dois padres matemáticos, Diogo Soares e Domingos Capacci – nasceu pelas mesmas razões no Brasil, e mais especificamente, em São Paulo, uma arte cartográfica nativa, em que “o quadro da cultura portuguesa remonta o primitivismo do aborígene, como uma força constante e essencial”.
Um ponto crucial para a cartografia bandeirante é a autoria. Para Jaime Cortesão, estes mapas foram feitos por bandeirantes propriamente ditos, isto é, sertanistas de São Paulo, moldados pelo gênero e o estilo de vida do bandeirantismo, e simples sertanistas de ocasião, luso-brasileiros de outras capitanias, reinóis residentes no Brasil, ou até servidores oficiais, civis ou militares. Vale dizer que todos os bandeirantes foram sertanistas, mas nem todos sertanistas foram bandeirantes.
De acordo com a historiografia tradicional, os bandeirantes eram considerados nobres e ricos mercadores, visão defendida por Oliveira Viana. Em 1929, houve uma inovação sobre o mito dos bandeirantes, o pioneiro neste trabalho foi Alcântara Machado que os analisou como modestos lavradores, pequenos mercadores e aventureiros rústicos. Mostrou que se dedicavam à agricultura de subsistência e à captura de índios pelo interior. Neste estudo o autor debruçou-se sobre o cotidiano da sociedade paulista para contestar a historiografia tradicional, destinada a erguer o mito dos bandeirantes.
O acervo da cartografia bandeirante na Fundação Biblioteca Nacional conta com cerca de 20 (vinte) mapas que representam em sua maioria a região de São Paulo e suas conexões com territórios que lhe são adjacentes até as Minas Gerais, Cuiabá, sul de Goiás e Paraná. Depois aparecem algumas cartas da região de Minas Gerais, e por fim, aparecem as do Prata. Mas é evidente que com a expansão do território para o interior através das chamadas Entradas e Bandeiras, começam aparecer nestes mapas uma abrangência geográfica maior. Vale lembrar que as Entradas referiam-se às expedições originadas de diversas partes do Brasil, formadas por iniciativa oficial ou particular, ao passo que as Bandeiras se remetiam às expedições dos paulistas, como observou o historiador Ronaldo Vainfas.
Fonte: http://migre.me/tFHpC