domingo, 30 de outubro de 2016

Afonso Sardinha o Moço (Transcrição)


Afonzo Zardinha de Melo "' houve dois, pai e sete filho, ambos versados em mineração e empenhados na procura de metais. Em 1589 os dois descobriram, em uma de suas excursões, minério de ferro, uranio e o sopé do Morro Araçoiaba (próximo à atual cidade de Sorocaba). Afonso Sardinha, o Velho, morreu depois do filho, em 1616. Mas não há provas, a não ser no que escreveu Pedro Taques de Almeida Pais Leme, de que esteve presente na descoberta das jazidas de minério de ferro de Araçoiaba e na construção do Engenho de Ferro. Ele foi um grande explorador da fauna e flora brasileira e contribuiu com os escravos a escaparem dos senhores.porém ele tinha muitos escravos
A terra
No século XVI, a região de Sorocaba, era o ponto para onde convergiam e a que se limitavam os índios Tupi do rio Tietê, os Tupiniquins e os Guaianazes de Piratininga, os Carijós dos campos de Curitiba, os Guaranis de Paranapanema e outros das nascentes desse rio, sendo lugar muito percorrido e conhecido por diversas tribos, o que facilitou ao colonizador suas empreitadas. Por volta de 1589, numa entrada liderada por Afonso Sardinha, descobriu-se minério de ferro no Morro Araçoiaba.
 Afonso Sardinha o Velho
Não se pode afirmar quando Afonso Sardinha, português, chegou ao Brasil, à Capitania de São Vicente. Tampouco se sabe onde nasceu nem a data. Deve porém ter sido dos mais velhos moradores da Capitania. Ao chegar, foi morar na Capitania de Santos. Em seu testamento, fala em papéis de crédito que um pirata inglês lhe havia levado, em várias transações próprias de quem negocia com navios e cargas. Ao chegar a São Paulo, em data ignorada, mas anterior a 1570, montou depósitos de açúcar e adquiriu casas que alugava aos vigários. Finalmente adquiriu uma grande fazenda pelo que se diz que em 1580 seriam homem de posses. Fazia, no fim do século XVI, vir negros da África como escravos. Enviava mercadorias à Metrópole ao menos uma vez por ano. Analfabeto como quase todos, assinava o nome com uma cruz com três hastes. Em seu Testamento, de 13 de novembro de 1592, descreve seus bens, especialmente uma grande Fazenda que, segundo vários autores, seria na região de Parnaíba. Foi casado com Maria Gonçalves. Não tinha filhos com ela mas um, ilegítimo e mameluco, de alguma índia. No seu testamento, declara expressamente "o que faço por não ter herdeiro forçado(herança legítima) a quem de direito deva deixar a minha fazenda (bens) porque Afonso Sardinha, o Moço, é havido depois de eu ter casado com minha mulher e por eu já ter dado a ele o que devia lhe ter já dado de minha fazenda até 500 cruzados, nos quais entram as terras onde está no Amboaçava…" Era uma grande soma o que prova a sua riqueza.
Aparece pela primeira vez em Livros de Atas e de Registro da Câmara de São Paulo, em 1575, ao tomar posse como Almotacel. Depois, em 1576 e 1577, seu nome aparece como vereador. Entre 1578 e 1586, não há menção. Em 1587, foi eleito Juiz e se manteve vereador. Tomou posse em 27 de Janeiro. Teria vivido na Vila nos dois anos seguintes, pois, em 1592, foi nomeado para comandar um grupo (uma verdadeira bandeira) que avançou pelo sertão para acabar com as invasões dos índios. Aliás, em 1585 (fato que pode explicar sua ausência da Vila de São Paulo), tomou parte na expedição de Jerônimo Leitão para os lados de Paranaguá, para combater os índios Carijós.
Em 9 de julho de 1615 ainda, com sua mulher Maria Gonçalves, fez doação ao altar de Nossa Senhora da Graça do Colégio de Santo Inácio, da vila de São Paulo, de todos os seus bens móveis e de raiz, com terras de Carapicuiba, por serem casados há 60 anos sem herdeiros. Afonso Sardinha o Moço era bastardo e mesmo assim já morrera.
 Bandeirante
Diversas vezes comandou expedições militares contra os índios. Não foi, até 1593, membro de qualquer entrada para preagem de índios ou procura de ouro. Dedicava-se mais a negócios comerciais e residia na Vila de Santos (depois da de São Paulo), mas foi um Bandeirante, sendo inclusive nomeado «Capitão da Gente de São Paulo» para cuidar da defesa da Vila contra as incursões e dar fim ao gentio invasor.
O grande feito: forja de ferro
Em 1591 no local se instalou a primeira usina siderúrgica: dois fornos rústicos e uma forja para produção de ferro. O empreendimento de Sardinha representou grande proeza mas, sem prosperar, encerrou suas atividades por volta de 1628, terminando assim o primeiro ciclo da exploração de Ipanema em (Sorocaba). Este fato conferiu a Afonso Sardinha o título de Fundador da Siderurgia Brasileira.
Em 1597 mais duas pequenas forjarias foram construídas nas cercanias de Ipanema. Entretanto, pelo tratado de Methuen, de 1703, entre Inglaterra e Portugal, Portugal foi obrigado a destruir suas manufaturas na Europa e na Colônia, desestimulando qualquer empreendimento com forjas.[1]
Afonso Sardinha, o Moço ou o Mameluco, tinha acompanhado o pai em todos seus feitos e morreu pobre, na cidade dos €3scravosem meio a uma expedição guerreira.
D.Francisco de Sousa havia enviado ao interior, pesquisar metais, Bento Maciel Parente e Diogo Martins Cão, e não obtendo resultado decidiu três entradas em 1596, partindo da serra dos Aimorés (a de Diogo Martins Cão), das costas de Parati (a de Martim Correia de Sá) e da vila de São Paulo (a de João Pereira de Souza Botafogo capitão-mor de São Vicente desde 14 de março de 1595, que não a realizou por ter sido preso por ordem real no meio da bandeira, e Domingos Rodrigues, fundidor de ferro trazido por D. Francisco do reino, chefiou um pedaço dela, dirigindo-se para a bacia do São Francisco e penetrando em território atualmente goiano, se deteve nas regiões de Paraupava). Dom Francisco chegou a São Paulo em maio de 1599 com grande comitiva e visitou então as minas de Afonso Sardinha o Moço, Bacaetava, São Roque e Jaraguá.
Dom Francisco em 1601 nomeou Diogo Gonçalves Laço capitão das minas de ouro e prata do Ibiraçoiaba: na ocasião, declarou Afonso Sardinha o Moço como seu descobridor, com Clemente Alvares. Eram minas, mas de flancos de montanha ou «grupiaras». Ordena no regimento a Laço aos dois Afonso Sardinha as diligências que somente serão executadas por Nicolau Barreto no ano seguinte, acompanhado por Afonso Sardinha, o Moço, que morreu no sertão em 1604.
Esta importante bandeira de Nicolau Barreto teve início em agosto de 1602. Partiu de São Paulo, autorizado Nicolau por Dom Francisco a descobrir ouro e prata (o objetivo real teria sido a pesquisa de ouro e prata no Peru). Desceram o rio Tietê e o rio Paraná, atingiram o rio Guairá mas trouxeram apenas índios e de volta a São Paulo, onde chegaram em 1604. Haviam-na integrado Afonso Sardinha o Moço, Simão Borges Cerqueira, fidalgo da Casa Real, Ascenso Ferreira, Pedro Leme, Manuel Preto, Francisco de Alvarenga. Pensa-se que queriam na verdade penetrar no reino do Peru à procura de minas, já que o mesmo soberano dominava o continente. Desta bandeira resultou que o governador Dom Francisco Arias de Saavedra, adiantado do Rio da Prata, mandou por terra a São Paulo emissários para falar com Dom Francisco de Souza, que impediu o quanto pode a ida de bandeiras escravagistas.
Afonso o Moço fez testamento em 1604 no sertão, que se pode ler em Silva Leme, volume I, página 76. Foi escrito pelo padre João Alvares, um dos capelães. Nele declara possuir 80.000 cruzados de ouro em pó, enterrado em botelhas de barro. Declara ser descobridor das minas de ouro no Brasil, nas serras de Jaguamimbaba, hoje Serra da Mantiqueira, na de Jaguara, termo de São Paulo, na de Vuturuna, termo da vila de Parnaíba, e na de Hiriraçoiaba ou Araçoiaba, termo de Sorocaba; fez também dois engenhos de ferro em que fundia com abundância tal metal, tudo à sua custa, circa 1590. Declara que desde 1592 morava na Embuaçava, terras dadas pelo pai.
Iniciador do ciclo do ouro das Minas de São Paulo, descobrira ouro de 1589 a 1600 na serra da Mantiqueira, em Guarulhos, Jaraguá, São Roque e Ipanema onde também encontrara ferro. Seu companheiro nas diligências era Clemente Álvares, mineiro prático. Em 1598, com outros Paulistas e mais de 100 índios, fizera entrada para «saltear índios» e descobrir metais, supondo-se que atingiu nas Minas Gerais o sertão do Jeticaí. Com seu filho Pedro Sardinha, também grande sertanista, desenvolveu os trabalhos de mineração no Jaraguá, que Brás Cubas tentara, mina donde diz ter extraido 80 mil cruzados e que o neto Gaspar Sardinha ainda explorava em 1636 com lucro. Deixou dois filhos legítimos, Luzia e Pedro.