terça-feira, 25 de outubro de 2016

(.... aos Puris, gentio amigo dos contrafortes da Mantiqueira ) - A VIAGEM DO CORSÁRIO INGLÊS ANTHONY KNIVET AO MAR DO SUL E SUA PASSAGEM PELO VALE DO RIO PARAÍBA (1591 - 1597) 1 por GIOVANNA LOUISE NUNES


2 ANTHONY KNIVET E A REGIÃO DO VALE DO RIO PARAÍBA
O marinheiro de Cavendish viveu a serviço e submissão da família Correia de Sá por quase uma década. Foi durante esse período que Knivet adentrou os sertões e consequentemente passou pela região do vale do Rio Paraíba, citada várias vezes no relato, pelos caminhos indígenas da Serra  do Mar. 
                           Knivet embrenha-se pelo sertão, por lugares nunca antes pisados por um europeu, entrando em contato com tribos desconhecidas e negociando escravos que serão usados nos engenhos e em trabalhos domésticos. Suas entradas pelo interior do Brasil, seguindo rotas indígenas e caminhos desconhecidos, são viagens de exploração em busca de minas de ouro e pedras preciosas, que se incrementaram no governo de d. Francisco de Souza(KNIVET, 2007, p. 20-21) 
A facilidade de adaptação e contato com os povos indígenas permitiu a Knivet um relativo sucesso, como o apontado em suas crônicas e em outros documentos, como o inventário realizado a pedido de Martim de Sá sobre despesas, no qual podemos verificar a seguinte passagem:  O objetivo de Martim de Sá era a compra de escravos por missangas e ferramenta; mas, apesar de os Guaianazes serem muito dados a esse comércio, a ponto de venderem suas próprias mulheres e filhos,  na ocasião encontravam-se em extrema escassez. Por isso Martim  de Sá resolveu enviar Knivet, com oito de seus escravos, aos Puris, gentio amigo dos contrafortes da Mantiqueira, cujo morubixaba acolheu muito bem o emissário e, depois de recebidas as dádivas de Martim de Sá, lhe entregou setenta escravos, fazendo-os acompanhar por trezentos frecheiros até a outra banda do Paraíba, rumo ao litoral (PROCESSO, 1937).
Ainda sobre o caminho dos Guaianazes, segundo o relato de Knivet, havia sido prometido a ele um escravo para realizar trabalhos para o inglês quando retornando ao Rio de Janeiro. Mas o prometido não aconteceu. Continuou a cumprir suas entradas. As datas das entradas seguem ainda com alguns espaços a  serem preenchidos durante as análises dos documentos de viagem  e cartoriais, como é o caso do  inventário  solicitado pela família Sá.  Isso aponta a um conflito de datas constante e de “versões”. Como o objetivo deste artigo é a verificação do caminho e da utilização do rio  com o  transporte e alimentação para os viajantes, prevalecem as relações  de  cruzamentos dos dados. Assim, as datas  funcionam  aqui como acessórias à análise, apenas como guia temporal dessas  entradas paulistas. Em 1593, em seu inventário, Martim de Sá descreve sua entrada no sertão ao lado de Knivet. Mas, suas  expedições pela  região  ganham mais força dois anos depois, em 1595, por um fator pessoal . Após uma discussão com sua madrasta o jovem é enviado pelo pai a fazer o caminho dos Guaianases, que ia de Angra dos  Reis  a Cananéia (do Rio de Janeiro à região de São Paulo), com o  intuito de apresamento  de  indígenas e reconhecimento local e de  seu gentio. Nesse momento, o objetivo era retornar à Ilha Grande,  onde estavam fixados, e após o contato com os Puris próximo  à  Mantiqueira, quarenta dias depois de dobrar o rio Paraíba,   retornou à Ilha Grande. No inventário mencionado de Sá,  já é sem tempo relatada a  escassez de indígenas, mesmo aqueles que eram ligados ao comércio escravo, chegando a vender seus filhos e mulheres.  Quando Knivet seguia viagem verificava que a disponibilidade de escravos cativos diminuía, por isso a incursão ao interior do território  da colônia. Na entrada de 14 de outubro de 1597, com a bandeira em  regra, seguiram juntamente a Sá e Kniv et, o também inglês  Henrique Banaway, além de um capelão, muitos moradores e  colonos do Rio de Janeiro. Knivet comenta que, partindo de Parati para o sertão, a oeste verificava um grande número de canoas a navegar entre as ilhas e a terra firme, o que leva acrer em um  comércio entre os moradores do Rio de Janeiro e as cidades do litoral norte paulista e o vale do  rio Paraíba.