quinta-feira, 10 de novembro de 2016

"....as minas de Jaguamimbaba" - O BAIXO VALE DO RIO SAPUCAÍ (Transcrição)

7. O BAIXO VALE DO RIO SAPUCAÍ: O RIO COMO ATOR HISTÓRICO Este capítulo procura esboçar uma narrativa sobre o rio Sapucaí como ator histórico na região do baixo vale. O foco de investigação é compreender em que medida o rio principal da bacia teve papel preponderante como elemento de estruturação do espaço; de delimitação de balizas e referências geográficas dos caminhos de penetração e conquista de territórios; como fator de fixação dos primeiros núcleos populacionais; como referência cartográfica para identificação de quilombos, de registros de cobrança de impostos e de projetos de traçados ferroviários associados aos de navegação; como marco estratégico das rebeliões e proposições separatistas de fragmentação regional. Em outras palavras, interessa-nos entender até quando e sob quais circunstâncias o rio – neste caso, o rio Sapucaí, teve presença como “ator histórico” no tempo pretérito. Neste texto procura-se realizar esse exercício de prospecção da história do rio Sapucaí, notadamente no baixo vale. Estão-se tomando como fontes de consulta, a produção de alguns pesquisadores “antiquários” dos municípios do baixo vale do Sapucaí; textos de memorialistas do século XVIII e XIX; almanaques do final do século XIX e das primeiras décadas do novecentos; dicionários de toponímia mineira e algumas análises da cartografia que trazem o rio Sapucaí naqueles séculos. Quanto à produção historiográfica de cunho mais generalista está-se restringindo à produção de Waldemar de Almeida Barbosa sobre a História de Minas. E quanto à produção de cunho acadêmico, adotou-se a  contribuição da historiadora Carla Anastásia, a do economista Cristiano Restituti e da própria pesquisadora sobre alguns dos temas acima enumerados. A referência a estes autores encontra-se devidamente mencionada no texto. Nos mapas que serão apresentados neste texto, sempre que possível, serão assinalados dois pontos geográficos significativos para a identificação de nosso objeto de estudo: (i) a foz do rio Sapucaí no rio Grande, ponto terminal do território que estamos denominando como baixo vale Sa.pucaí e (ii) a foz do rio Verde no rio Sapucaí (hoje território de Paraguaçu, submerso pelo reservatório de Furnas). pág 123/124
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7.4.2. As Bandeiras
O leito dos rios foi a trilha preferida pelos exploradores. Estes, organizados em expedições particulares, avançaram sobre os sertões, a partir do século XVI. O que motivava os bandeirantes além do aprisionamento dos índios era a descoberta de ouro e pedras preciosas.
Monsenhor José do Patrocínio Lefort, emérito estudioso de Campanha, realizou alguns trabalhos de minuciosa pesquisa sobre os primórdios do povoamento da região mais tarde conhecida como Sul de Minas. No seu texto, “O Sul de Minas e as Bandeiras” o pesquisador indica as fontes de consulta – cuidado nem sempre seguido por outros pesquisadores do tema. Segundo Lefort (1994), o rio Verde e o rio Sapucaí, pela proximidade geográfica, foram descobertos à mesma época pelas bandeiras organizadas no século XVI. Atribui-se à bandeira do Capitão português João Pereira de Sousa Botafogo ([1540?]-1605)85, já em 1596, a chegada nas “terras do rio Sapucaí e Verde”. Lefort questionava-se sobre o local em que esta bandeira teria “apanhado as cabeceiras do Sapucaí e os tijucais do rio Verde”.86 Ricardo Rebello, pesquisador da história de Machado, quando se reporta aos primeiros exploradores da região, não menciona João Botafogo. Diz o autor: 
                                Já em 1.597, Affonso Sardinha, acompanhado do naturalista alemão [Wilhelm] Glimmer, descobriu as minas de Jaguamimbaba e chegou à região do Sapucaí. Nesse mesmo ano, a bandeira organizada por Martim Correia de Sá, saindo do Rio de Janeiro, alcançou as cabeceiras dos rios Verde e as do Sapucaí. (REBELLO, 2006, p. 22) (grifos nossos)
Fonte:Capacitação de Educadores em Educação Ambiental e Educação Patrimonial Focada em Recursos Hídricos: A Fazenda-Escola Fundamar (Paraguaçu/MG, baixo curso do rio Sapucaí) por Maria Lúcia Prado Costa (Transcrição) Universidade Federal de Minas Gerais Mestrado Interdisciplinar em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável http://migre.me/vt0PL pág 142/143