quarta-feira, 2 de novembro de 2016

DESCOBRIMENTO DO BRASIL E POVOAMENTO - 1 C A P I S T R A N O D E A B R E U

OS CAMINHOS ANTIGOS E O POVOAMENTO DO BRASIL (1)
2.O roteiro de Fernão Dias Paes
O caminho seguido por Fernão Dias Paes era conhecido e mais de uma vez foi trilhado por pessoas que do sertão vinham pedir reforços ou de Piratininga iam levando auxílios mandados pela família no decurso da expedição em que finalmente deixou a vida. Comparando-o com o de D.Rodrigo de Castello Branco, administrador das minas, pode-se determiná-lo com bastante precisão, pois D. Rodrigo não teve maior preocupação  que a de acompanhar-lhe as pegadas. Apenas chegou a Santos tratou de pôr-se em comunicação com o governador das esmeraldas para quando tornasse de Paranaguá. Na entrada elegeu braço direito a Matias Cardoso de Almeida, seu antigo companheiro. Na marcha encontrou um portador  de Garcia Paes, filho de Fernão, mais adiante o próprio Garcia e  tragicamente foi morto no arraial de Manoel de Borba Gato, cunhado  deste. D. Rodrigo partindo de São Paulo a 19 de março de 1681, a 24 assinava  um documento em Atibaia; a 19 de abril fugiam-lhe índios na paragem de  Sapucaí; estes dois nomes  bastariam para mostrar que o caminho seguido  não foi o do Paraíba do Sul. Deve ter sido o de Atibaia, em parte percorrido por Spix e Martius, e em parte descrito por Paula Ribeiro em 1815: Rev. Trim. 2º, 5º.  O caminho de Atiaia ou Sapucaí e o de paraíba do Sul comunicavam-se na  Mantiqueira por várias gargantas, apontadas nas seguintes notas  graciosamente fornecidas por Dr. Gentil Moura: “Na região de Piracaia (antiga cidade de Santo Antônio da Cachoeira) há  as gargantas do rio Cachoeira e Muquém, afluentes do rio Atibaia e  situados entre os morros do Lopo e a pedra do Selado. Fronteiras a Jacareí há as gargantas do rio do Peixe e do rio das Cobras,  afluentes do Paraíba e situados ao Sul da pedra do Selado. Fronteiras a São José dos Campos há as gargantas do Rio Buquira. Fronteira a Pindamonhangaba e entre os morros do Itapeva e Pico Agudo,  há a garganta do Piracuama. A partir do Jacareí, as gargantas convergem para a região mineira  chamada do Sapucaí (São José do Paraíso, Santana do Sapucaí etc.). Fronteiras a Guaratinguetá há as gargantas do Pirajuí e Guaratinguetá;  fronteira de Lorena e do Piquete, e fronteira de Cachoeira (Bocaina) há a  garganta do Embaú, onde se fez a entrada para Minas Gerais, ganhando o  vale de Passa Vinte depois da travessia da serra.” Ao tomar posse de sua cadeira no Instituto Histórico do Rio, Gentil  Moura traçou uma bela síntese da antiga viação paulista, que se pode ler  no  Diário Oficialde 3 de julho de 1920.
Fonte: http://www.cdpb.org.br/capistrano_de_abreu%5B1%5D.pdfpág 253/254
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Observação: Em artigo do Professor Paulo Pereira dos Reis, sobre a origem da palavra - Guapacoré - Região e porto do Vale do Paraíba, temos:
                        "Também se encontra em documentos coloniais a palavra. Aguapocoré, como registro a sesmaria concedida, em 18 de maio de 1707, pelo Governador do Rio de Janeiro, Fernando Martins Mascarenhas de Lancastro, a Bento Rodrigues Caldeira morador
                         "no caminho das minas há mais de doze anos, com sua casa e família onde chamam Aguapocoré Porto onde desembocam os mineiros"(7)  
Fonte: Revista de História,  Publicação Trimestral - Janeiro-Março, Vol, XXXIV n.º 69, Ano XVII, 1967, São Paulo Brasil, pág 161/163),
Nota: Resulta deveras delicado, na condição, tão somente, de alguém que luta pelo direito a memória, relativamente a micro História de meu espaço de pertencimento, contra forte da Serra da Mantiqueira, Serra de Jaguamimbaba, Sertão dos Índios Bravos, Caminho do Ouro, cinco Serras Altas do Roteiro de Andre João Antonil, local esse, verdadeiramente vitimado pelo ostracismo imposto pela Academia, no que diz respeito a sua relevância Histórica. Havendo despertado  após minhas andanças por Minas Gerais, nos últimos 18 anos que, lamentavelmente, e certa medida,   a História é contada pelos vencedores. Tenho esperança na nova História Cultural. Ousar contrariar e questionar a sentença advinda de ninguém menos que Capistrano de Abreu, ao afirmar esse, relativamente ao caminho percorrido por Fernão Dias Pais, que não fora pela via do Rio Paraíba, mas sim, pelo caminho de Atibaia, asseverando que, "pode-se determiná-lo com bastante precisão". Somente uma dose de petulância, enfrentando indiferenças reiteradas, me faz prosseguir em minhas buscas amadorísticas. Desta feita, sem maiores delongas, faz-se necessário questionar o óbvio, o ululante. Ou seja, tratando-se de uma Bandeira gigantesca, que demandou vários anos de preparação implicando em construção de uma criteriosa logística. Tendo em vista a citação de André João Antonil, no que tange a localização das "Roças de Bento Rodrigues", no Guaipacaré, em sua obra, Cultura e Opulência do Brasil, com suas Drogas e Minas. Quem em sã consciência, haverá de insistir, considerando o contido em documento primário de termo de doação da Sesmaria, a Bento Rodrigues Caldeira,  transcrito acima, em especial, quanto ao tempo de moradia na localidade, isto é, mais de 12 anos, que seria outro o caminho teria percorrido, com bastante precisão que não fosse pela via do Vale do Paraíba?