terça-feira, 22 de novembro de 2016

Guaratingueta - No século XVIII Guaratinguetá, ponto de passagem para as Minas Gerais, torna-se o principal centro de abastecimento para os sertões mineiros.(Transcrição)

História
Desde os primeiros tempos, uma grande quantidade de garças marcava a paisagem daquela região às margens do rio Paraíba, entre as serras do Mar e da Mantiqueira. Os índios a denominaram Guaratinguetá, expressão que, na língua Tupi-Guarani, significa reunião de guarás-brancos.
O local já estava assim batizado quando por ele passaram os primeiros homens brancos, nos anos finais do século dezesseis. Eram grandes expedições de portugueses que acompanhados pelos índios, buscavam as regiões além da Mantiqueira, nas futuras Minas Gerais, onde sabiam existir ouro e pedras preciosas.
A fixação do povoador branco na região, entretanto, somente aconteceu a partir de 1628, com a doação a Jacques Felix e seus filhos, de datas de terras nos sertões do Rio Paraíba. Informa o primeiro Livro-Tombo da Matriz de Santo Antonio de Guaratinguetá que, por volta de 1630, no local da atual Matriz, foi erguida uma capelinha feita de pau-a-pique e coberta de sapé, sob a invocação de Santo Antonio de Pádua, cuja festa se comemora a 13 de junho. A invocação do santo fixa, assim, esta data, que está gravada à porta da Matriz, como início do povoado de Guaratinguetá, pois era uso do colonizador português batizar o local com o nome do santo do dia.

Em torno da capela se desenvolveu o povoado que, no ano de 1651, a 13 de fevereiro, por requerimento do Capitão Domingos Leme, foi levado a Vila de Santo Antonio de Guaratinguetá, sediando grandes extensões de terras, sendo a segunda vila do Vale do Paraíba.
No século XVIII Guaratinguetá, ponto de passagem para as Minas Gerais, torna-se o principal centro de abastecimento para os sertões mineiros.
A vila, modesta, com poucas e tortuosas ruas vivia de economia de subsistência. O comércio à beira da estrada, servia aos viajantes que por ela passavam. Além dos importantes fatos religiosos que marcaram sua vida, também é do século XVIII (1745) a missa celebrada no Morro dos Coqueiros, a primeira com benção da Capela de Nossa Senhora Aparecida. Apesar de perder neste século o território de Cunha (1785) que se emancipou, a prosperidade do açucar se fazia presente, com grande produção nos engenhos. Entre 1795 e 1798 o futuro padre e regente do Império, Diogo Antonio de Feijó estudou em Guaratinguetá com o licenciado Guaratinguetaense Manoel Gonçalves Franco.
As primeiras décadas do século XVIII assistiram à passagem de inúmeros viajantes estrangeiros que, em seus livros e registros iconográficos, deixaram valiosos documentos sobre Guaratinguetá.
A vila possui vida basicamente rural, sendo aos domingos e feriados procurada para o culto religioso. O café assumia a condição de primado econômico na medida em que os engenhos de açucar decaiam. Com o café vem o desenvolvimento econômico, político e social. Em 1844 foi elevada à categoria de cidade, em 1852 à comarca. Mudam as características da cidade. A mão-de-obra aumenta sensivelmente. As construções são ampliadas, enriquecidas. O dinheiro do café transforma a vida urbana. Os filhos dos fazendeiros são levados à estudar na corte e na Europa. O comércio de mercadoria que chega pelo porto de parati, expande-se. Chega em lombo de burros, das tropas que fazem a circulação antes da chegada da estrada de ferro (1877).