terça-feira, 22 de novembro de 2016

HISTÓRIA DO VALE por Diogo Amaro de Almeida (Transcrição)

OS PRIMEIROS TEMPOS DO CAFÉ

O café entrou no Brasil em 1727, trazido pelo Sargento mor Francisco de Melo Palheta. E a partir da segunda metade do século XVIII já se encontrava no Rio de Janeiro[1] e em São Paulo.
Na Capitania do Rio de Janeiro, o café é cultivado primeiramente na cidade do Rio de Janeiro e na baixada fluminense (MARTINS, 1990: 7). Posteriormente nas vilas de Vassouras, Valença e Barra Mansa, e, em 1782, segundo Taunay, em Rezende[2] (COELHO, 1984: 51).
Na região paulista as notícias são variadas e conflitantes, entre os autores e entre esses e as informações documentais da época.
Milliet afirma que por volta de 1780 não se cogitava em café na região e que somente em 1798 ele aparece na pauta das exportações, em ínfima quantidade - apenas sete sacas - (1982: 16). Taunay, por outro lado, fala em franca produção em 1785 (COELHO, 1984: 50) e o Marechal Arouche, em 1795, na existência de muitas plantações no planalto paulista, inclusive na própria Piratininga (BAPTISTA FILHO, 1952: 2)[3]. Nos Maços de População, porém o que se vê em franca atividade são apenas engenhos de cana, criação de animais e o cultivo de alimentos de subsistência.
Parece coerente aplicar para São Paulo, em especial no vale do Paraíba, a assertiva utilizada por Evangelista (1978: 95) e Marcondes (1998: 64) ao referir-se sobre o café no município de Lorena: “a cultura do café estava penetrando de maneira desigual...” e coexistirá com a cana-de-açúcar, a aguardente e os tradicionais produtos de subsistência (milho, arroz, feijão e farinha de mandioca), o algodão e o fumo. E, ao mesmo tempo, seguir a lógica, defendida pela maioria dos autores, que a partir de Rezende, cultivado em maior escala, o café seguiu em direção a Bananal, São José do Barreiro e Areias, no itinerário do “caminho novo”, e daí para as região de Lorena, no rumo da antiga Estrada Real.
Em Areias aparece por volta de 1790 e, em Bananal, nos princípios do século XIX (COELHO, 1984: 51), também em escala reduzida.
Em Lorena intensifica-se a partir da década de 1820, como principal cultura de exportação e de maior dinamismo (MARCONDES, 1998: 66), onde o produto encontrou solo propício na região do Porto do Meira, Embaú, Limoeiro e Registro Velho, à margem esquerda do Paraíba, até a serra da Mantiqueira (EVANGELISTA, 1978: 93).
O apogeu ocorreria entre os anos de 1854 e 1886 (MILLIET, 1982: 34), com destaque para as cidades de Bananal e Areias como principais produtoras, suplantado outros produtos na pauta das exportações (Tabela 1).
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